ECONOMIA
Empresários pedem resgate urgente da indústria da castanha de caju em Nampula
O Presidente do Conselho Empresarial de Nampula (CEP), Mohomed Yunuss, lançou um apelo contundente ao Governo para que promova uma resposta coordenada e urgente ao declínio da indústria da castanha de caju, um dos sectores económicos historicamente mais relevantes da província e do país.
Yunuss alertou que, apesar das promessas de apoio, a fileira do caju continua marcada por indústrias inactivas, perda de competitividade e desarticulação institucional. “Estamos a acompanhar com atenção que o Governo está preocupado com o sector, mas essa preocupação precisa de se traduzir em acções concretas”, afirmou.
“Não se trata apenas de produzir castanha. É preciso garantir capacidade de processamento local, abertura de mercados e incentivos reais à exportação com valor acrescentado”, sublinhou.
Yunuss lamentou que, em Nampula, várias unidades fabris ligadas ao caju estejam inoperacionais, com milhares de postos de trabalho perdidos e comunidades inteiras afectadas pela estagnação da cadeia de valor. “Temos indústrias paradas enquanto exportamos castanha em bruto, perdendo receitas, empregos e oportunidade de transformação económica local”, denunciou.
O dirigente apelou a uma abordagem integrada para reanimar o sector, promovendo investimento privado, estímulos fiscais, capacitação técnica e estabilidade normativa. “O caju pode e deve voltar a ser uma das colunas da economia de Nampula e de Moçambique, mas para isso é preciso vontade política, clareza estratégica e acção coordenada”, defendeu.
Yunuss sugeriu ainda que o sector da castanha seja prioritariamente integrado nas agendas de reforma económica e comércio externo, aproveitando plataformas como a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) para inserir o produto transformado moçambicano nos mercados regionais e globais. Faizal Raimo