POLÍTICA
Eleições na OMM em Nampula excluem Margarida Namuaca e geram contestação
As eleições internas da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), em curso na província de Nampula, estão a ser marcadas por forte contestação após a exclusão da dirigente Margarida Namuaca da lista de candidatas. A decisão deu origem a acusações de manipulação, favoritismo e bloqueio político de mulheres com trajectórias consolidadas dentro da organização.
Falando aos jornalistas, Margarida Namuaca, que foi secretária da OMM na cidade de Nampula entre 2010 e 2015, e mais tarde exerceu funções como secretária permanente nos distritos de Memba e Murrupula, afirmou não compreender os motivos da sua exclusão.
“Nem eu sei como fui excluída. O meu processo era o mais completo. Preparei tudo de forma correcta e nunca fui notificada de qualquer irregularidade”, declarou.
Segundo Namuaca, a brigada central do partido permaneceu vários dias em Nampula para receber e verificar os processos, mas não prestou qualquer esclarecimento nem convocou as candidatas para eventuais correcções.
“Eram apenas quatro processos. Se havia falhas, deviam ter-nos chamado. Mas levaram tudo para Maputo, onde o processo foi claramente manipulado”, denunciou .
Ela aponta Margarida Talapa, figura sénior da FRELIMO, como estando por detrás das alegadas manobras para afastar mulheres com capacidade de liderança.
Margarida Namuaca (à esquerda, de amarelo),
“A camarada Margarida Talapa está a impor pessoas ligadas à sua esfera pessoal. A candidata escolhida é amiga da filha dela, nunca dirigiu um órgão da OMM e não cumpre os critérios exigidos”, afirmou, referindo-se a Amida Firmino, a jovem agora tida como favorita à eleição.
Segundo Namuaca, as directrizes da organização exigem, no mínimo, cinco anos de experiência em cargos da OMM. “Ela entrou em 2022. Não tem o tempo nem a experiência exigida. Nunca chefiou nada. Já eu fui enviada até ao Vietname para formação política. E hoje sou afastada sem explicações”, lamentou.
Visivelmente indignada, a dirigente classificou a situação como um “sequestro político” das estruturas femininas da OMM em Nampula.
“Estamos reféns de uma liderança que impõe e intimida. Muitos obedecem por medo de perder os seus cargos. Isso não é democracia. É nepotismo”, denunciou.
A tensão intensificou-se após declarações do primeiro-secretário da FRELIMO na província, Gilberto Francisco, que advertiu contra manifestações internas. Para Namuaca, essa posição demonstra autoritarismo e viola o direito à contestação.
“Alertámos o primeiro-secretário sobre a possível exclusão, e ele disse que não sabia. Agora quer proibir protestos? É nosso direito. Quando há várias candidatas, deixa-se a escolha às camaradas. Isso é que fortalece a democracia”, defendeu.
As declarações de Margarida Namuaca revelam um clima de crescente frustração e desconfiança no seio da OMM em Nampula, com denúncias de falta de transparência e perseguições internas. Até ao fecho desta edição, não houve reacção oficial da brigada central nem da direcção do partido na província. As eleições prosseguem sob a narrativa oficial de um ambiente de coesão. Redacção