ECONOMIA
Economistas defendem subsídios e fiscalização para travar subida especulativa do pão
Perante rumores e sinais de aumento do preço do pão em algumas padarias da capital, economistas moçambicanos apelam à intervenção urgente do governo para conter a especulação, reforçar a fiscalização e reintroduzir subsídios aos panificadores.
Para os economistas Jorge Serrão João Conhaque e Domingos Zaqueu, a tendência de alta está associada à escassez de trigo no mercado internacional, provocada pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia, ao aumento dos custos logísticos globais, à escassez de divisas e à forte dependência de Moçambique das importações de matérias-primas.
Contudo, alertam que a situação revela uma vulnerabilidade estrutural da economia moçambicana em matéria de segurança alimentar. “É urgente repensar as políticas públicas. No curto prazo, o governo deve garantir o abastecimento do mercado, recorrendo, por exemplo, a acordos bilaterais, activação de reservas estratégicas e concessão de subsídios temporários à cadeia de produção do pão”, defendeu Jorge Conhaque.
Segundo ele, também é essencial aplicar fiscalização rigorosa para travar práticas especulativas. “O pão não pode tornar-se uma arma de lucro fácil em tempos de crise. A segurança alimentar constrói-se com visão, investimento e vontade política”, afirmou, acrescentando que o preço do pão “é um termómetro do compromisso do Estado com o bem-estar das famílias”.
Conhaque apelou ainda ao investimento na diversificação da produção alimentar, promovendo o consumo de alternativas locais. “Produtos como milho, mandioca, batata-doce e outros tubérculos têm potencial para substituir o pão na dieta das famílias”, sugeriu.
Já Domingos Zaqueu defende a reintrodução imediata de subsídios aos panificadores, combinada com uma fiscalização apertada às suas práticas comerciais. “O governo deve agir para evitar que a situação alastre ao resto do país. Já há sinais de que associações provinciais de panificadores ponderam subir os preços. Os subsídios seriam uma medida urgente para estancar essa tendência”, disse.
Zaqueu salientou ainda a importância de garantir o peso justo do pão vendido ao público. “Sem medidas de controlo, poderemos assistir a mais manifestações como as registadas nos últimos dias, não só em Maputo, mas em todo o país”, alertou. Vânia Jacinto