SOCIEDADE
E a Catedral de Nampula assinala 69 anos da sua inauguração
A Catedral de Nampula completa este sábado (23) 69 anos da sua inauguração, ocorrida a 23 de Agosto de 1956, numa celebração presidida pelo então Cardeal Teodósio Clemente de Gouveia, Arcebispo de Lourenço Marques.
Dedicada a Nossa Senhora de Fátima, a Catedral ganhou, a 7 de Julho de 1993, uma distinção singular: tornou-se a primeira Catedral do mundo consagrada a Nossa Senhora de Fátima sob a invocação de “Mãe da Paz”. Essa decisão esteve directamente ligada à dura realidade da guerra civil em Moçambique.
O acto de consagração foi confirmado pelo decreto assinado por Dom Manuel Vieira Pinto a 15 de Agosto de 1993, dia da Festa da Assunção de Nossa Senhora e, ao mesmo tempo, o 48.º aniversário do lançamento da primeira pedra desta Catedral.
Em 1984, quando o conflito atingiu níveis de violência intoleráveis na província de Nampula, a Catedral passou a acolher, todas as sextas-feiras, Celebrações pela Paz. Foi nesse contexto que a comunidade e o clero fizeram o voto de dedicar o templo a Nossa Senhora de Fátima sob a invocação de “Mãe da Paz”, voto que se manteve até ao último dia da guerra. Após a assinatura do Acordo Geral de Paz em Roma, em Outubro de 1992, e com a devida autorização da Santa Sé, a promessa foi finalmente cumprida no ano seguinte.
Em entrevista ao Jornal Rigor, o padre José Luzias Gonçalves, que participou nas celebrações dos 25 anos da Catedral em 1981, recorda a coincidência histórica entre a elevação de Nampula à categoria de cidade e a benção e dedicação da Catedral. Para o sacerdote, o templo não é apenas um edifício religioso, mas um verdadeiro marco simbólico da cidade:
“Hoje celebramos também o aniversário da dedicação da Catedral de Nampula, cuja arquitectura tem muito contribuído para que a cidade seja cognominada de Nampula, a Linda.”
Fotografias cedidas pelo padre José Luzias Gonçalves: À esquerda: Celebração do Dia da Dedicação da Catedral de Nampula, a 15 de Agosto de 1956, presidida pelo Cardeal Teodósio Gouveia, com a presença do então Governador-Geral. À direita: Vista do interior actual da Catedral de Nampula, sob a invocação de Nossa Senhora de Fátima, Mãe da Paz.
O padre Luzias guarda ainda uma série de fotografias da época, que, segundo ele, continuam a servir como testemunho vivo da história da Catedral.
“As fotografias desse tempo são claras: a celebração foi presidida pelo Cardeal Teodósio Gouveia e contou com a presença do então Governador-Geral, ambos bem visíveis no registo histórico”, sublinhou.
Para o sacerdote, as renovações introduzidas pelo bispo Dom Manuel Vieira Pinto estiveram em plena sintonia com as orientações do Concílio Vaticano II, sobretudo no que se refere à centralidade do altar, à presidência da celebração e à concepção da Igreja como verdadeiro Povo de Deus reunido. Faizal Raimo
Benedito Marime
Agosto 23, 2025 at 6:00 pm
Como curiosidade, registe-se que o Governador-Geral de então era o Comandante Gabriel Maurício Teixeira, Capitão de Fragata da Armada Portuguesa. Ele, tal como o Cardeal Gouveia, era madeirense. Daí as numerosas piadas de mau gosto que se lançavam sempre que essas duas personalidades apareciam juntas em actos protocolares.