ECONOMIA
Dinheiro da USAID faz falta nos esforços de combate à desnutrição em Nampula
A província de Nampula enfrenta um défice preocupante no combate à desnutrição após o encerramento dos projectos Transform Nutrition e Advance Nutrition, ambos financiados pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). A situação foi denunciada esta quarta-feira (27) pela Directora Provincial de Saúde, Celma Xavier, que alertou para a redução significativa dos investimentos na área.
“Com a saída destes dois projectos ficámos sem apoios importantes para colmatar as lacunas que ainda temos. A província é extensa e, apesar de contarmos com outros parceiros, como a UNICEF, o Banco Mundial, a FDC e a Visão Mundial, a cobertura não é suficiente. Há um défice muito grande e precisamos de crescer”, afirmou Xavier.
Segundo a responsável, Nampula continua a liderar os índices de desnutrição crónica em Moçambique, com 46,7% de crianças menores de cinco anos afectadas, um número considerado extremamente elevado. Para Xavier, o estudo recentemente realizado pela FDC sobre a situação nutricional é de “extrema importância”, pois permitirá identificar áreas prioritárias para novos investimentos e estratégias de mitigação.
A Directora Provincial de Saúde apontou ainda vários factores que agravam o problema, como a alta taxa de fecundidade, estimada em 5,6 filhos por mulher, as doenças infecciosas recorrentes, a baixa cobertura de abastecimento de água e o fraco saneamento do meio. “Quando uma mãe tem cinco ou seis filhos, dificilmente consegue garantir o mesmo nível de cuidado para todos. Somando a isso, temos doenças que afectam crianças em idade vulnerável, falta de água potável e más condições de saneamento, que acabam por agravar a desnutrição”, explicou.
Actualmente, Nampula conta com a intervenção da UNICEF, presente em nove distritos; do Banco Mundial, que financia alguns pacotes ligados à nutrição comunitária; da FDC, que actua junto das comunidades locais; e da Visão Mundial, presente em três distritos. No entanto, a saída dos dois programas financiados pela USAID deixou um vazio significativo, comprometendo os avanços obtidos nos últimos anos. Assane Júnior