SOCIEDADE
Detenção de agentes em Mogovolas revela infecção criminosa na corporação, afirma Maurício Régulo
A detenção de cinco agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), afectos ao comando distrital de Mogovolas, na província de Nampula, acusados de assaltar minerais preciosos a um cidadão estrangeiro, revela sinais alarmantes da fragilidade do Estado e do risco crescente de infiltração criminosa nas forças de segurança pública, segundo o analista político Maurício Régulo.
Para Régulo, o caso evidencia pelo menos quatro realidades profundamente preocupantes.
“Primeiro, o Estado não conhece com precisão os recursos de que dispõe. Se os conhecesse, criaria condições adequadas para proteger os locais por onde jorram esses recursos”, afirmou, defendendo a realização urgente de um levantamento geológico (survey) nacional para mapear, com rigor, as riquezas do subsolo moçambicano.
O analista lamenta que, embora o país disponha de quadros técnicos competentes, “muitos preferem a política em detrimento do seu contributo para o desenvolvimento de Moçambique”.
A segunda leitura é ainda mais preocupante:
“Estamos num Estado onde impera a lei das armas. E torna-se mais grave quando o assalto é cometido por quem devia garantir a segurança desses mesmos recursos”, observou, questionando se o episódio configura uma manifestação da lógica do “salve-se quem puder” ou a existência de redes criminosas dentro da própria corporação policial.
Em terceiro lugar, Régulo aponta para uma possível normalização da cultura do ‘cabritismo’, onde o interesse individual se sobrepõe à legalidade e à ética profissional.
Maurício Régulo, especialista em política e professor universitário
A quarta observação diz respeito à lógica do crime:
“Olhando para as quantidades e o tipo de minério em causa — ouro — é evidente que o cidadão estrangeiro não operava sozinho. Os polícias sabiam do local de extracção e, por não terem sido incluídos no esquema, usaram a força para se apoderarem do minério”, afirmou.
Maurício Régulo manifesta preocupação com o histórico de instabilidade em Mogovolas, que, segundo ele, pode conter indícios de radicalização local. Recorda episódios como a vandalização de infra-estruturas pertencentes a cidadãos estrangeiros, a expulsão de profissionais de saúde sob falsas alegações de disseminação de cólera e, agora, o envolvimento directo de agentes estatais no saque de recursos minerais.
“Antes da insurgência em Cabo Delgado, também se registaram focos de agitação social semelhantes, como em Mavuco. Hoje, olhando para a proximidade de Mogovolas com os megaprojectos em Angoche, Moma e Larde, não podemos ignorar o risco de que grupos criminosos cresçam e comecem a semear pânico junto das multinacionais que ali operam”, alertou.
O analista termina com um apelo directo às autoridades:
“É urgente reforçar a vigilância sobre o distrito de Mogovolas, sobretudo nos locais de extracção de recursos. Ignorar estes sinais poderá sair demasiado caro ao país.” Redacção
Carmelita Ananias Faustino
Julho 12, 2025 at 9:33 pm
Realmente que estejamos todos de vigilância.
Principalmente para as autoridades.
Boa noite
Carmelita Ananias Faustino
Julho 12, 2025 at 9:34 pm
Este país está virado ao avesso…