ECONOMIA
Desvinculados dos CFM ameaçam endurecer protestos após 20 anos sem salários de aposentação
Mais de dois mil antigos trabalhadores dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) ameaçam endurecer as suas acções de reivindicação caso o Governo e a empresa não resolvam o pagamento dos salários de aposentação reclamados há mais de duas décadas. O grupo afirma estar cansado de promessas e acusa as autoridades de falta de vontade política para resolver o problema.
O presidente da Associação Provincial dos Trabalhadores Desvinculados dos CFM, Vitorino Paulino, afirmou que os ex-funcionários foram injustiçados, pois a própria Ordem de Serviço da empresa determina que devem continuar a ser pagos até serem conduzidos às Finanças — o que nunca aconteceu.
“Estamos a acompanhar este processo há mais de 20 anos e continuamos sem respostas. Queremos saber o que é preciso para os dirigentes dos Caminhos de Ferro resolverem este problema”, declarou Paulino ao Jornal Rigor.
O dirigente lamenta ainda que a Secretaria do Governador de Nampula tenha impedido a associação de reunir-se com o executivo provincial, apesar de um pedido formal apresentado em Abril. “Recebemos resposta apenas em Agosto, e de forma negativa. Queríamos apenas expor o nosso sofrimento”, afirmou.
Cansados de esperar, os trabalhadores prometem adoptar uma nova postura. “Durante anos fomos pacíficos. Agora toda a linha está à espera de uma única voz para agir”, advertiu o presidente, sem detalhar o tipo de acção que poderá ser tomada.
A associação explica que, durante o período laboral, os funcionários sofriam descontos de 7% nos salários, destinados à sua integração nas Finanças — processo que nunca se concretizou. O caso já teve orientações favoráveis do Tribunal Administrativo e do Ministério dos Transportes, que recomendaram a integração dos desvinculados nas Finanças para o processamento dos salários de aposentação.
Os trabalhadores pedem a intervenção urgente do Governo central, alertando que a paciência chegou ao limite. “O nosso sofrimento já dura demais. Só queremos o que é nosso por direito”, concluiu Vitorino Paulino, numa declaração que soa como o último aviso antes do protesto. Redacção