SOCIEDADE
Deputada do PODEMOS denuncia mau atendimento na maternidade do Centro de Saúde 25 de Setembro
A deputada da Assembleia da República pelo Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique, Luísa Paulino António, denunciou nesta terça-feira (2), um alegado caso de negligência e mau atendimento a uma mulher grávida na maternidade do Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula.
O caso de suposta negligência e maus atendimentos registrou-se no último dia 31 de maio quando uma jovem grávida de primeira viagem se dirigiu àquela unidade sanitária com dores que sinalizavam a vinda do bebé; mas, após uma observação rápida pelas profissionais, foi-lhe dito que devia aguardar até ao dia seguinte.
Segundo Aulália Ângelo Joaquim, mãe da jovem, uma vez que as dores eram intensas, voltou a pedir que a filha fosse novamente observada, mas a enfermeira recusou.
A recusa repetiu-se por duas vezes, até que decidiram procurar assistência noutra unidade sanitária, mas sucedeu que o parto veio a acontecer dentro de uma viatura, a caminho do Hospital Geral de Marrere.
“Quando percebi que não teria mais assistência, resolvi procurar outro hospital. Saímos dali e conseguimos transporte. Mas, antes mesmo de chegarmos no Hospital de Marere, o bebé já estava a nascer dentro do carro. Quando chegámos, os enfermeiros correram para nos ajudar e concluíram o parto. Graças a Deus, tanto a mãe como a criança estão bem” explicou Aulália que desabafou: “O que me dói é pensar que tudo isso podia ter sido evitado se tivéssemos recebido assistência a tempo”.
Questionada se o comportamento das profissionais teria sido motivado por alguma cobrança ilícita que a família havia recusado pagar, Aulália afirmou não ter sido exigida qualquer valor monitório em troca de atendimento.
“Não me pediram dinheiro nem qualquer outra coisa. Por isso não posso dizer que aconteceu por causa disso. O que me deixou triste foi a forma como fomos tratadas. Se alguém tivesse pedido alguma coisa, eu saberia explicar. Mas o que aconteceu foi simplesmente falta de atenção e de apoio numa altura em que mais precisávamos”, declarou.
Entretanto, logo que tomou conhecimento do caso, a parlamentar Luísa Paulino António deslocou-se ao Centro de Saúde 25 de Setembro para, no âmbito do seu mandato, exigir esclarecimentos sobre o ocorrido, incluindo uma investigação para se apurar a identidade das envolvidas, por forma a que sejam responsabilizadas .
“Uma mulher grávida procura o hospital para encontrar acolhimento e segurança. Não é aceitável que uma mãe saia de uma maternidade sem assistência e acabe por dar à luz no caminho para outro hospital”, lamentou a parlamentar, que acrescentou: “vamos acompanhar este caso até ao fim para perceber o que realmente aconteceu e garantir que situações semelhantes não continuem”.
A deputada aproveitou para condenar o facto de que, em vários hospitais, para as mulheres serem atendidas no sector da maternidade, é necessário pagar valores monetários.
“Há muitos anos que ouvimos relatos de mulheres que falam da prática de ‘amarra’; são denúncias recorrentes de utentes que dizem sentir-se pressionadas a entregar dinheiro ou algum bem para receber melhor atendimento. Isso é muito grave, porque os serviços de saúde são públicos e devem estar disponíveis para todos, sem qualquer tipo de cobrança. Nenhuma mulher deve ser obrigada a pagar para ter acesso a um direito que lhe é garantido pelo Estado. Precisamos de investigar e encorajar as vítimas a denunciarem, para que situações de corrupção, maus-tratos e negligência médica sejam combatidas”, concluiu.
Questionado sobre o caso, o Centro de Saúde 25 de Setembro recusou-se a gravar entrevista. No entanto, a instituição informou que ainda não dispõe de dados sobre o ocorrido, mas garantiu que irá reunir a equipa profissional para identificar as responsáveis e, posteriormente, tomar as devidas medidas administrativas.