POLÍTICA

Decisão da Renamo de eleger candidatos em ano não eleitoral é manobra para segurar Ossufo Momade

Publicado há

aos

O analista político Maurício Régulo considera que o Conselho Nacional da Renamo, recentemente realizado, demonstra que a actual direcção do partido pretende manter Ossufo Momade na liderança, apesar do crescente descontentamento interno.

Em entrevista ao Rigor, Régulo afirmou que a Renamo está desorientada e sem rumo, lembrando que o partido continua a viver sob a sombra do falecido líder Afonso Dhlakama. Para o analista, o encontro deveria avaliar a situação interna e definir orientações políticas, mas acabou por revelar sobretudo a intenção de consolidar a liderança de Ossufo Momade.

Na sua leitura, a decisão de eleger candidatos eleitorais em ano não eleitoral funciona como manobra para evitar questionamentos sobre a presidência do partido, restringindo o debate interno apenas à escolha de candidatos à Presidência da República. “A ideia é manter Ossufo Momade ao leme da Renamo. Só que, no meu fraco entendimento, é desta vez que a perdiz vai ser depenada por outros partidos. Já perdeu o lugar de maior partido da oposição para o recém-criado PODEMOS, que está nesta posição de forma transitória, visto que o ANAMOLA irá conquistar esse título a breve termo”, disse.

Régulo sublinha que a Renamo enfrenta uma crise de liderança, marcada pela acomodação e pelo adormecimento do actual presidente. “O partido está refém de Ossufo Momade. Ele foi comandante operacional e estratega militar durante a guerrilha, criou diversas bases no norte e conhece bem a geografia militar da Renamo, o que lhe garante influência interna, mesmo num contexto de fragilidade política”, referiu.

Para o analista, a única saída é convocar um congresso extraordinário e abrir espaço à escolha de uma nova direcção. “A Renamo não pode ter medo da democracia quando se apresenta como o ‘pai da democracia’ em Moçambique. Se Ossufo quiser, pode concorrer e, se vencer o escrutínio, será presidente de todos. Mas é urgente devolver aos membros o direito de decidir sobre o futuro da organização”, defendeu.

O especialista criticou ainda o distanciamento da direcção em relação à base. Segundo disse, o partido transformou-se numa organização de gabinete, que só aparece em tempos eleitorais. “A Renamo deve criar massa crítica interna e transformar as posições dos críticos em oportunidades de melhoria. Caso contrário, continuará a perder confiança junto do eleitorado e dos próprios simpatizantes”, advertiu.

Régulo concluiu que, para continuar a ter relevância na política moçambicana, a Renamo precisa de tomar medidas arrojadas e inclusivas. “Se não gostam de alguns membros, não os excluam em momentos de decisão estruturante. Façam-no antes, com base em critérios claros. Só assim o partido poderá recuperar rumo e autoridade”, concluiu. Vânia Jacinto

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas

Exit mobile version