OPINIÃO

Curandeirismo dentro das igrejas modernas: mitos ou verdades?

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Nos últimos anos, Moçambique tem assistido a uma explosão de igrejas de origem africana com promessas de cura, libertação e prosperidade – elas menos falam da salvação. No entanto, por detrás das pregações meio barulhentas, acompanhadas de louvores, danças tipo de “kadodas e amapianos” e das multidões entusiasmadas, surgem inquietantes sinais de práticas que se assemelham ao curandeirismo tradicional. Alguns líderes religiosos, supostamente homens de Deus, recorrem a supostos objetos “ungidos”, símbolos duvidosos e até rituais obscuros, gerando várias perguntas, tais como: será que estamos a viver um cristianismo camuflado de práticas ancestrais? será que a doutrina que está sendo pregada, é de Deus? esse “show off” que alguns pastores de hoje em dia fazem, vem de Deus? esses nomes como: Desvendador, Major one, Wise Man, Libertador, Capitão, Visionário, Comandante, Mestre, etc, que os lideres religiosos se intitulam hoje, são do Altíssimo? que tal, aquelas línguas estranhas! – são realmente estranhas?

Vários relatos de fiéis e observadores indicam que, em certas igrejas, há uso de linhas de várias cores, amarradas nos pulsos, venda de frutas abençoadas, distribuição de “óleos sagrados” de origem duvidosa, águas supostamente milagrosas e roupas quentes dos pastores e suas bijuterias com símbolos que lembram práticas obscuras. Há também “orientações espirituais” que pedem aos crentes para colocarem certas substâncias nas portas das casas ou locais de trabalho como forma de proteção, práticas semelhantes às dos curandeiros das “palhotas”.

Alguns pastores afirmam abertamente fazer viagens a países como Nigéria, Congo, Malawi ou África do Sul em busca de “renovação espiritual”, mas há suspeitas de que tais viagens servem para se encontrarem com curandeiros nas palhotas. Alguns desses líderes começaram como curandeiros e, repentinamente, se autodenominam “evangelistas”, “pastores”, “profetas” ou “apóstolos”, com igrejas próprias e seguidores fiéis.

A linha entre curandeiro e pastor torna-se cada vez mais tênue. Quando um líder veste-se de trapos e missangas, é chamado de curandeiro; quando está de terno e gravata, com a Bíblia na mão, é “homem de Deus”? A Bíblia já advertia sobre os falsos profetas que fariam sinais e milagres (Mateus 24:24). Então, como discernir?

Este fenômeno exige reflexão urgente. Não se trata de atacar a fé, mas de abrir os olhos de algumas pessoas. A fé cristã genuína baseia-se em amor, verdade e santidade, não em manipulação, comércio de milagres e práticas ocultas. O crente moçambicano precisa questionar: o meu líder espiritual é mesmo guiado por Deus ou por interesses próprios e forças ocultas? o meu pastor é realmente homem de Deus  ou é mais um enganador? Nem tudo o que reluz é ouro, nem todo “milagre” vem do Céu.

A responsabilidade de discernir está em cada um de nós. A verdadeira igreja precisa voltar às Escrituras e abandonar os espetáculos que vemos diariamente. Deus não precisa de macumbarias disfarçadas para operar. É tempo de despertar.

 

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