ECONOMIA
CTA propõe banco agrícola para dinamizar a produção e garantir nutrição em Moçambique
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu esta quinta-feira (10), em Nampula, a criação urgente de um banco agrícola robusto, com um quadro legal adequado para financiar, de forma estratégica e sustentável, os sectores produtivos, com enfoque absoluto no agronegócio.
A proposta foi apresentada pelo presidente da CTA, Álvaro Massingue, durante a Primeira Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio (CINA), que decorre na cidade de Nampula.
Para Massingue, a solução passa por uma abordagem económica centrada no financiamento produtivo. “O Governo deve impulsionar o crédito comercial e reconhecer a banca de desenvolvimento como motor do progresso nacional — é urgente criar um banco agrícola robusto que responda às necessidades do sector produtivo”, sublinhou. Acrescentou ainda que o governo deve assumir o seu papel de facilitador, criando incentivos ao investimento, eliminando burocracias e acelerando processos. “A nutrição não é apenas um problema social — é uma gigantesca oportunidade económica. O momento de agir é agora.”
O presidente da CTA elogiou a visão estratégica do governo provincial de Nampula e saudou o compromisso do Governo de Moçambique com a agenda nutricional, através da promoção de cadeias de valor alimentares mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. Destacou que a conferência deve gerar acções concretas para inverter os alarmantes indicadores de desnutrição, sobretudo em Nampula, a província mais populosa do país.
“Moçambique dispõe de 36,5 milhões de hectares de terras aráveis. Paradoxalmente, apenas 15% dessa terra está efectivamente em produção. Este dado não apenas revela um desafio — é um grito de alerta para uma transformação urgente”, advertiu.
Segundo dados do SETSAN citados por Massingue, 37% das crianças moçambicanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. Em Nampula, a situação é ainda mais preocupante: 47,6% das crianças são afectadas, 2,5% nascem com baixo peso e 9,1% enfrentam desnutrição aguda.
“Estamos perante um drama nacional que compromete o desenvolvimento cognitivo, a aprendizagem e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho de uma geração inteira. Uma geração em risco de exclusão das oportunidades do século XXI”, alertou.
Álvaro Massingue, presidente da CTA, defende em Nampula a criação urgente de um banco agrícola robusto para financiar o agronegócio e combater a desnutrição em Moçambique.
Massingue descreveu a conferência como um apelo à consciência nacional. “Ou continuamos a importar alimentos e, com isso, importar pobreza. Ou produzimos localmente, alimentamos melhor o nosso povo e criamos riqueza dentro da nossa casa.”
Afirmou ainda que a nutrição deve ser encarada como vector de crescimento económico. “Garantir a nutrição é garantir dignidade, saúde e desenvolvimento humano. Num país com rápido crescimento populacional, a única via sustentável é produzir mais, melhor e localmente.”
Em nome da CTA, reiterou o compromisso do sector privado com a causa nutricional, destacando iniciativas em curso como a promoção de cadeias de valor locais com impacto nutricional, a participação no Plano Director da Agricultura e o apoio à fortificação obrigatória de alimentos.
“O sector privado está pronto e comprometido a ser protagonista na luta contra a fome, a subnutrição e a pobreza. Lançamos aqui um convite directo a empresários nacionais e internacionais: vamos juntos transformar os desafios de Moçambique — e, em particular, de Nampula — em oportunidades de negócio sustentáveis, inclusivas e responsáveis”, concluiu. Faizal Raimo