SOCIEDADE
Contribuições nas Escolas: ou o Governo assume, ou mudamos o modelo de avaliação — defende o professor Marufo Sumaila
“Falar na televisão que é proibido cobrar não resolve. Ou o Governo assume os custos, ou temos de mudar o modelo de avaliação”, alerta o professor e investigador Marufo Sumaila, licenciado em Ensino de Matemática e mestre em Administração e Regulamentação da Educação.
Sumaila junta-se ao coro de vozes que consideram hipócrita a postura das autoridades que proíbem cobranças nas escolas, mas não canalizam um único metical para custear a reprodução dos testes. “Perguntem a qualquer dirigente que defende a proibição: quanto dinheiro foi enviado à Escola Secundária de Cossore? Nenhum. E, no entanto, exigem que haja testes”, desafia.
Para o académico, as direcções escolares são as mais pressionadas nesta crise. Embora reconheça que muitas cometem abusos, ao cobrarem 75, 100 ou até 150 meticais, insiste que o problema não reside apenas nas escolas, mas sim na ausência de meios básicos para garantir o funcionamento do sistema. “A culpa não é só das escolas. É do sistema que exige e não provê.”
Segundo Marufo, há apenas duas soluções realistas: “1. O Governo, através das direcções provinciais, deve assumir a responsabilidade pela reprodução dos testes. Uma vez que os exames passam pelas direcções para validação, estas mesmas entidades devem imprimi-los e distribuí-los às escolas; 2. Rever o modelo de avaliação nas escolas públicas. Em vez de provas com 30 ou 40 questões, devemos regressar ao modelo dos anos 90: cinco a seis perguntas abertas, exigindo raciocínio e domínio dos conteúdos. Isso poupa papel, tempo e recursos.”
Para ele, cobrar 25 meticais para reproduzir 11 páginas de prova é aceitável, desde que com transparência. O problema surge quando os valores são inflacionados com custos que não dizem respeito às avaliações. “Lanche para professores? O aluno não é obrigado a pagar isso.”
Marufo recorda que nos distritos há maior respeito pela regra da gratuidade, por receio de fiscalização, ao contrário dos centros urbanos, onde a prática da cobrança se generalizou. Ele próprio trabalhou durante mais de uma década em Morrupula e garante que ali as escolas não cobravam absolutamente nada para testes.
“Não podemos continuar a fingir. A escola pública precisa de meios para funcionar. Fora disso, continuaremos a ter casos como o de Cossore e a culpa não será dos alunos”, Marufo Sumaila. Faizal Raimo