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Consumir fragmentos: nova tendência de comunicação
Os nossos ouvidos são ferramentas imprescindíveis e portas de entrada de muitas informações orais, embora algumas delas equivocadas.
Nesta breve reflexão, pretendemos abordar o tema dos fragmentos na comunicação, pois, precisamos de nos atualizar através de notícias e formações fidedignas e ou credíveis.
Contudo, a apatia de alguns comunicadores leva muitas pessoas ao erro, pensando que só fragmentos de informações e notícias são suficientes.
O que são fragmentos na comunicação?
Alguns textos sem conteúdo, mas que aparentam ter informação. Esse tipo de comunicação produzida por pessoas instruídas ou não visa tornar os outr9s preguiçosos mentais e desinformados.
Uns divulgam fragmentos para monopolizar a mente das pessoas e outros ingênua ou sabiamente, espalham fragmentos por saber que textos longos são menos procurados.
Como podemos descobrir que sou consumidor de fragmentos e não informações com conteúdo detalhado? Quando recebemos um texto longo e reclamamos. Quando na nossa comunicação escolhemos abreviações ou frases curtas mesmo sendo repletos de ambiguidades.
Não se trata de esquecer a essência da síntese, necessária na comunicação, mas abrir espaço para que as nossas mentes aprendam a consumir informações completas, ricas de conteúdo e que por meio disso, adquiramos conhecimento.
Quando entramos numa biblioteca, escolhemos livros finos e não encaramos livros volumosos, estamos a abrir a brecha para que a mente se acostume a recorrer fragmentos.
Uma das formas de se libertar do consumo de fragmentos, nos questionemos se viveríamos de restos de comida sabendo que há alimentos suficientes, quentes e deliciosos.
Na verdade, ninguém se contentaria com “left overs”, restos de comida sabendo que tem condições para servir boa comida.
Essa analogia de comida, podemos aplicar na informação.
A pesquisa científica é relevante quando o investigador apresenta dados suficientes que confrontem um do outro.
Imagine ouvir única versão, de somente uma fonte a respeito da pobreza de um país, sustentando o seguinte: “o país A ou B continuará pobre porque o povo é preguiçoso”.
Não seria prudente escutar de outras fontes se o que disse o pesquizador não é uma informação adulterada ou cheia de preconceito ou não.
Nos anos eleitorais, circulam umas fake news, compiladas e quase profissionalmente perfeitas. Por causa de amnésia de uns e o costume de consumo de fragmentos de outros, o impacto da fake news acaba sendo maior. Muitos são arrastados e levados a tomar decisões precipitadas.
O julgamento que fazemos aos outros passa, muitas vezes, pelo consumo de fragmentos. Temos a preguiça de questionar e compreender porque motivo uma notícia circula velozmente que a outra.
Em condições normais, as nossas sociedades deveriam abandonar o julgamento para aderir à forma correta de lidar com os outros que é a avaliação.
Avalia-se a ação e não a pessoa.
Alguém pode cometer um erro sem nenhuma intenção. Por isso, se julgamos a pessoa, acabamos não entendendo a intenção daquela ação.
Toda forma de indagar passa pelo critério de consumo de informações da nossa mente. Por isso, é crucial nos perguntar: quero fragmentos para julgar apressadamente ou um bom conteúdo, detalhado e bem elaborado para avaliar moderadamente?
Claro, todo processo que abre novas perspectivas é chato e árduo, mas acreditemos que se não for pela via longa, usaremos via curta, chegaremos rapidamente, mas vazios.
Tomemos a via longa, chegaremos exaustos, porém felizes porque teremos obtido, não simplesmente o conhecimento, mas também a experiência de lidarmos com os desafios da vida.
Outro exemplo não menos importante é sobre os relacionamentos e convivências.
Depois de 20 anos juntos, tendo uma experiência de amizade, de confiança e cumplicidade. Por que jogariamos tudo isso fora ao escutarmos que o outro roubou nosso dinheiro?
A aflição para acharmos nosso dinheiro pode ser maior e o uso emocional da informação poderá nos obrigar a cometer erros fatais.
O que aconselhamos, se for o caso do exemplo acima, procuremos cuidadosamente os motivos que levaram aquele “revelador da tal informação” a nos aproximar e dar a notícia.
Não seria uma poderosa cilada do demônio? Não caímos nas mãos dos fofogólogos (amantes da fofoga)?
Tudo começou com a problemática do consumo de fragmentos que parece ser algo simples. Todavia, os danos provocados na sociedade que opta por consumir fragmentos são imensuráveis.
Por que continuaremos a ser uma sociedade de fragmentos mesmo cientes dos males vindos desse comportamento?
Se queremos ser eruditos, mesmo com pouco conhecimento que formos a adquirir, escolhamos o consumo de conteúdo para nosso enriquecimento intelectual, emocional, social e humano.
Nossas famílias, nossas amizades e nossas convivências precisam de gente madura e não pessoas infantilizadas por tiktokers, influencers sem nenhum conteúdo, mas que se atrevem na comunicação.
Escolhamos uma sociedade que se recusa a consumir fragmentos como também nos recusaremos a comer restos de macarrão, ao sabermos que merecemos um bom prato bem cheio e quente.
Despertador dos Sonhos
Pe. Kwiriwi, CP.