ECONOMIA
Com apoio da Haiyu, quatro jovens tornam-se técnicas de saúde e regressam para cuidar da sua gente
A empresa Haiyu Mozambique Mining, Co. Lda acaba de concluir um projecto social transformador ao financiar integralmente a formação de quatro raparigas oriundas das comunidades hospedeiras da sua actividade mineira. O grupo é composto por 04 jovens das localidades de Murrua e Sangage, que concluíram os seus cursos técnicos na área de saúde no Instituto Politécnico RHDC, em Angoche.
A formação teve início em 2021 e foi concluída em Abril de 2025, tendo custado cerca de um milhão de meticais. As técnicas de saúde deverão estrear-se no novo centro de saúde de Namawe, actualmente em construção, que permitirá reduzir significativamente as distâncias de acesso aos cuidados básicos de saúde em várias comunidades abrangidas pela extração mineira e outras do distrito.
Fátima Momade: “Vou sensibilizar para o planeamento familiar e dar melhor atendimento”
Natural de Sangage, Fátima Momade concluiu o curso de Saúde Materno-Infantil. Em entrevista, demonstra plena consciência do papel transformador que poderá desempenhar na sua comunidade:
“Carrego uma responsabilidade de ajudar nas mudanças. Há muitas queixas de mau atendimento nas maternidades, e quero mudar esse cenário. Quero dar um atendimento digno às famílias,” afirmou com determinação.
Segundo Fátima, um dos problemas críticos de saúde em Sangage são os partos em idade avançada e a malária. A nova técnica quer liderar acções de sensibilização sobre planeamento familiar e reforçar os cuidados de pré-natal.
“A comunidade precisa de orientação. Quero explicar que uma mulher deve planear quantos filhos pode ter, com segurança. Isso evita riscos para a mãe e para o bebé,” defendeu.
Questionada sobre o que diria aos responsáveis da Haiyu, a sua mensagem foi de gratidão e apelo:
“Agradeço muito pela oportunidade. Espero que mais raparigas possam ser ajudadas, porque há muitas outras com vontade de estudar e servir as suas comunidades como eu.”
Lúcia José Boavida: “Quero ser a ponte entre o hospital e as mães da minha terra”
Lúcia José Nicolau Boavida é natural de Murrua, no distrito de Angoche, e também se formou em Saúde Materno-Infantil. Descreve a experiência de formação como positiva e enriquecedora:
“Foram dois anos e meio de muito esforço. O Instituto RHDC acolheu-nos bem e tivemos o apoio constante da empresa Haiyu. Sinto-me preparada para exercer com amor e responsabilidade,” contou.
O seu maior sonho é combater a prática comum de partos fora das unidades de saúde, ainda prevalente na sua zona:
“Muitas mães ainda preferem dar à luz em casa, longe de assistência. Quero ser uma voz que motive essas mulheres a procurarem o hospital. Estando dentro da comunidade, acho que terei mais facilidade de convencê-las,” sublinhou.
Com espírito de missão, Lúcia afirma que pretende ser “uma boa enfermeira, uma acolhedora, alguém que ouve e cuida”. E, como Fátima, não esquece de agradecer à empresa que financiou os seus estudos:
“A bolsa valeu a pena. Hoje sou enfermeira e vou servir o meu povo. Digo obrigada à Haiyu e peço que continuem a dar esta oportunidade a outras jovens. A nossa comunidade precisa disso.”
Régulo Kuruxiwa: “Estas raparigas serão fundamentais para a nossa saúde”
O líder tradicional da comunidade de Murrua, Lopes Cocotela Vasco, conhecido por régulo Kuruxiwa destacou o carácter estratégico da iniciativa, afirmando que o impacto será profundo assim que o centro de saúde de Namawe estiver concluído:
“As nossas comunidades percorrem até 26 quilómetros para chegar a um posto de saúde. Com o novo centro, essa distância será reduzida para cerca de 1 quilómetro. E melhor ainda: será atendida por filhas da própria terra. Isso fortalece a confiança e o sentimento de pertença.”
O régulo acrescenta que a localização de Namawe foi escolhida por consenso entre as comunidades vizinhas, para garantir abrangência e impacto equitativo.
Compromisso com o futuro
A empresa Haiyu Mozambique Mining, Co. Lda reafirma com esta acção o seu compromisso com o desenvolvimento humano nas zonas onde opera, apostando na formação de quadros locais e no fortalecimento do sistema de saúde básico.
As quatro novas técnicas representam uma esperança viva para as suas comunidades e simbolizam um investimento que vai muito além da infraestrutura: trata-se de preparar pessoas da própria terra para cuidar da sua gente — com empatia, pertença e profissionalismo.