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Civis armados espalham o medo em Namutequeliua
As armas de fogo continuam a circular livremente nas mãos de civis em Nampula, alimentando uma crescente onda de assaltos violentos. Em menos de uma semana, dois jovens foram brutalmente agredidos e roubados no bairro de Namutequeliua por indivíduos supostamente armados, que levaram as suas motas. O fenómeno reacende os alertas sobre o paradeiro do material bélico que desapareceu durante as manifestações violentas que eclodiram após as eleições. Na altura, várias esquadras e postos policiais foram invadidos por manifestantes, que se apoderaram de armas, munições e equipamento táctico.
Até ao momento, segundo dados apurados pelo Rigor, apenas uma média de seis armas de fogo foram recuperadas em Nampula — uma fracão mínima face às várias reportadas como desaparecidas ou nunca formalmente inventariadas. Enquanto isso, bairros como Namutequeliua tornam-se palco de ataques organizados, onde os agressores se movem com confiança, impunidade e armamento.
Na noite desta Segunda-feira (07/04), o jovem Beto Muzé, de 21 anos, foi vítima de um assalto à mão armada no bairro de Namutequeliua, na cidade de Nampula. Proveniente de Nacala e recém-chegado à cidade para estudar, Muzé foi interpelado por três homens encapuzados e vestidos de preto, armados com uma pistola e uma catana, por volta das 20h, quando regressava de um posto de combustível próximo à rotunda da cidade.
O Rigor entrevistou a vítima na 4.ª Esquadra do bairro de Namutequeliua, onde ele se encontrava para apresentar uma queixa-crime, na esperança de recuperar os seus bens.
“Quando eu estava a voltar de abastecer a mota, passei nesta área do hospital. Logo que me aproximei, apareceram três pessoas numa mota por detrás de mim. Dois deles saltaram da mota e o motorista continuou. Ao vê-los, pensei que fossem polícias e que quisessem os documentos da mota ou me perguntar algo, porque, quando me pararam, um deles apontou-me uma arma”, contou a vítima.
Durante a abordagem, o jovem tentou resistir, mas acabou sendo atingido na cabeça com um golpe desferido por um dos assaltantes, o que resultou em ferimentos na região do crânio e exigiu a aplicação de cinco pontos no hospital local.
Os criminosos levaram a mota nova de Muzé, adquirida há apenas duas semanas, além de uma mochila contendo documentos de identificação, dinheiro e dois telemóveis — um Tecno Spark 8 e um Itel de pequeno porte.
“Quando eles tentaram ferir-me, eu fugi e entrei num quintal próximo a pedir socorro, mas as pessoas apareceram tarde demais. Eles já tinham fugido com os meus pertences”, lamentou o jovem, que relatou ainda estar abalado com o ocorrido.
Muzé está em Nampula há pouco mais de um mês, onde iniciou um curso técnico no Instituto Industrial da cidade. Ele afirma que é a primeira vez que passa por uma situação como essa e expressa indignação com a frequência de crimes semelhantes na região.
“Já é o terceiro assalto protagonizado por ‘homens da catana’ em menos de um mês aqui no bairro. Um amigo meu passou pela mesma situação na Sexta-feira passada.”
Adelino, amigo da vítima e moto taxista, também foi alvo de um ataque recente. Segundo ele, foi emboscado por um suposto cliente que o levou até à zona do aeroporto, onde outros dois comparsas apareceram.
“Quando chegámos ao aeroporto, vieram duas pessoas na nossa direcção a conduzir uma mota. Quando se aproximaram, um deles tirou uma catana e bateu-me no peito. Foi uma grande sorte, porque eu tinha uma mochila às costas, e também porque a catana não estava afiada — assim, o pior não aconteceu”, contou.
Adelino acredita que os criminosos não são residentes da área e aponta que muitos vêm do bairro de Namicopo para cometer crimes em Namutequeliua. Daniela Caetano