ECONOMIA

Cirurgia de catarata devolve autonomia e melhora qualidade de vida dos pacientes em Nampula, revela estudo da Sightsavers

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A Sightsavers apresentou, esta quinta-feira, em Nampula, os resultados de um estudo que demonstra melhorias significativas na autonomia, funcionalidade e qualidade de vida de pacientes operados à catarata na província. A pesquisa, realizada no âmbito do projecto de Saúde Ocular Inclusiva, avaliou a evolução dos beneficiários antes da cirurgia, seis meses depois e doze meses após a intervenção.

Segundo a organização, muitos pacientes que antes dependiam de terceiros para tarefas básicas, como caminhar, cozinhar, tomar banho ou orientar-se dentro de casa, recuperaram a capacidade de realizar estas actividades com independência. A cirurgia permitiu ainda reduzir tropeções, quedas e outras complicações físicas associadas à deficiência visual, devolvendo segurança e dignidade aos beneficiários.

A representante da Sightsavers, Mércia Cumane, explicou que o estudo, denominado “Explorando o efeito da cirurgia de catarata nas dificuldades funcionais e na qualidade de vida” (ECASE), foi realizado para preencher uma lacuna existente no País sobre os impactos reais da cirurgia.
“O objectivo era perceber o que muda na vida do paciente depois de operado. Avaliámos a funcionalidade, a capacidade de se locomover, de cuidar de si e de participar na comunidade. Os resultados mostram melhorias claras na autonomia e na qualidade de vida”, afirmou.

A pesquisa abrangeu pacientes de 23 distritos de Nampula, escolhidos devido à elevada prevalência de deficiência visual e ao grande número populacional da província. Inicialmente, mais de 900 pessoas foram envolvidas, mas cerca de 800 concluíram todas as fases do estudo, após perdas por óbitos, mudanças de residência ou dificuldades de localização.

Para a Sightsavers, os dados confirmam que os investimentos em saúde ocular são essenciais para combater a cegueira evitável, diminuir o estigma social e aumentar a participação produtiva das pessoas na comunidade. “Quando alguém volta a ver, recupera também o direito de participar, produzir e viver sem discriminação”, sublinhou Cumane.

O estudo mostra ainda que, além da melhoria visual, os pacientes relatam maior bem-estar emocional, confiança e capacidade de se integrar no seio familiar e comunitário. A retoma das actividades diárias, incluindo trabalho agrícola, pequenos negócios e cuidados domésticos, foi apontada como um dos maiores ganhos.

A Sightsavers defende que estes resultados reforçam a necessidade de ampliar o acesso a cirurgias de catarata nos distritos, através do fortalecimento dos blocos operatórios e de clínicas móveis. A organização destaca que a cirurgia continua a ser uma das intervenções médicas mais custo-efectivas do mundo para prevenir a cegueira e restaurar a autonomia das pessoas. Zeferino Jumito

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