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Campanha de vacinação arranca em Nampula para travar cólera, entre desinformação e desafios estruturais

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O Serviço Provincial de Saúde de Nampula vai lançar, entre os dias 17 e 21 de Maio, uma campanha massiva de vacinação contra a cólera, com o objectivo de interromper a cadeia de transmissão da doença e combater a desinformação que tem comprometido a resposta sanitária nas comunidades. A acção abrangerá os quatro distritos ainda afectados pelo surto — Nampula, Angoche, Larde e Murrupula — e prevê a imunização de mais de 1,7 milhões de pessoas com idade igual ou superior a um ano.

A decisão de avançar para esta campanha foi tomada depois de sucessivas falhas nas estratégias de contenção anteriores, causadas, em grande medida, pela desinformação e resistência comunitária. Em alguns locais, como o distrito de Murrupula, a situação tornou-se crítica: um grupo de populares chegou a tentar invadir a casa do médico-chefe distrital, acusando-o de ser responsável pela propagação do vibrião causador da cólera.

“Há comunidades que acreditam que os profissionais de saúde são os que distribuem o vibrião. Este tipo de desinformação tem colocado as nossas equipas em risco e dificultado seriamente o controlo do surto”, afirmou Geraldino Júlio Avalinho, chefe do Departamento de Saúde Pública de Nampula.

Desde o início do surto, em Outubro de 2024, a província registou mais de 3.200 casos e 39 óbitos. Embora o distrito de Mogovolas tenha sido recentemente declarado livre de cólera, os restantes quatro continuam com o surto activo. Nos últimos dias, foram notificados seis novos casos e sete pacientes continuavam internados.

Avalinho apontou ainda que a falta de acesso à água potável e a má gestão urbana estão entre os principais factores estruturais que alimentam o surto, sobretudo nas zonas periurbanas da cidade de Nampula, onde se concentra a maioria dos casos. O bairro de Muahivire Expansão, por exemplo, representa mais de 50% das ocorrências notificadas.

“As zonas abastecidas pela rede da Área Norte não registam casos relevantes, o que mostra a importância do acesso à água tratada. A cólera não é só uma questão de saúde — é reflexo de exclusão e da ausência de saneamento básico”, frisou.

Para implementar a campanha, foram mobilizadas mais de 1.700 equipas comunitárias, compostas por vacinadores, registadores e mobilizadores. A estratégia inclui vacinação porta-a-porta, em mercados, feiras e pontos fixos, com apoio técnico da OMS e outros parceiros internacionais. Também foi destacado um contingente de 20 militares para os distritos de Murrupula e Nampula, com o objectivo de reforçar a segurança das equipas e ajudar na mobilização cívica das populações.

“Falhámos no seguimento dos casos, o que comprometeu o bloqueio da cadeia de transmissão. Esta campanha é a resposta mais robusta que temos neste momento. Só com unidade e participação popular venceremos esta doença”, apelou Avalinho. Faizal Raimo

 

 

 

 

 

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