ECONOMIA
AVOTANA atribui indisciplina de membros como principal causa de acidentes de táxi-mota
A Associação dos Transportadores de Táxi-Mota de Nampula (AVOTANA) reconhece que a indisciplina e a postura imprudente de muitos dos seus associados são a principal causa da crescente onda de acidentes envolvendo este meio de transporte na província.
A posição foi avançada esta sexta-feira (15) pelo presidente do Conselho Fiscal da agremiação, António Raul António, que admitiu a fraca adesão dos operadores às acções de capacitação e sensibilização promovidas pela associação.
“Queremos capacitar os taxistas, mas há muita rebeldia. Muitos recusam-se a participar nas formações, apesar de serem nossos membros. Continuamos a insistir, porque acreditamos que só com formação podemos reduzir os acidentes”, afirmou.
Segundo Raul, a maior parte dos associados não tem as suas contribuições em dia, mas, ainda assim, a AVOTANA garante apoios em casos de sinistros, incluindo acompanhamento hospitalar, visitas e assistência básica. “Os membros deviam pagar uma taxa diária de 10 meticais, mas muitos não cumprem. Mesmo assim, sempre que temos conhecimento de um acidente, prestamos atenção e apoio”, explicou, acrescentando que recentemente a associação registou um caso de acidente mortal envolvendo um dos seus membros, tendo garantido assistência à família desde o internamento até ao funeral.
A falta de organização e de regras claras na actividade de táxi-mota é apontada por operadores como uma das principais causas da elevada sinistralidade rodoviária na cidade de Nampula.
Para Chale Ussene, o envolvimento de indivíduos alheios à profissão agrava os riscos: “Muitos que estão aqui não são taxistas reais, apenas vêm para se aproveitar. Nós, os verdadeiros taxistas, ficamos sem espaço, enquanto eles continuam a roubar clientes e até sofrem acidentes ao tentar fugir.”
Momade Anastácio, taxista da praça do Djaló, explicou ao Rigor que qualquer pessoa pode entrar na actividade sem critérios definidos, o que aumenta o risco de acidentes.
“Basta ter uma motorizada para começar a trabalhar, não há requisitos. Isso nos prejudica, porque muitos não conhecem as normas de trânsito e correm nas estradas atrás de clientes, o que acaba em acidentes”, afirmou.
O operador defendeu a necessidade de maior intervenção governamental para organizar a classe. “Seria bom se o Governo criasse um departamento específico para gerir os taxistas. Hoje em dia, até roubos acontecem por causa da desorganização. Fala-se que existem mais de 3 mil taxistas na cidade, mas na lista da associação o número não chega a isso. Isso mostra que a maior parte trabalha sem enquadramento”, criticou.
Segundo os próprios taxistas, a desorganização do sector deixa os passageiros e os operadores expostos a riscos constantes, e a ausência de fiscalização contribui para que a actividade continue sem normas definidas.
A AVOTANA reitera que vai continuar a investir em sensibilização e formação, apesar dos desafios, para promover maior disciplina entre os seus membros e reduzir os acidentes que diariamente colocam em risco a vida de condutores e passageiros. Assane Júnior