SOCIEDADE

Aumenta venda informal de medicamentos na cidade de Maputo

Publicado há

aos

A venda informal de medicamentos está a crescer nos mercados de Xipamanine e Xiquelene, na cidade de Maputo. A cada dia, aumenta o número de vendedores que oferecem fármacos sem prescrição, à margem da lei, atraindo clientes devido à escassez nas farmácias públicas e aos preços mais baixos em relação às farmácias privadas.

Nos mercados visitados pelo Jornal Rigor, é comum ver cidadãos sob sombrinhas ou junto a redes mosquiteiras usadas, sinais discretos que indicam a presença de vendedores de medicamentos. Entre os produtos vendidos estão analgésicos, antibióticos, anti-maláricos, anticonceptivos injectáveis, antirretrovirais e o citotec, usado para provocar aborto.

Um dos compradores abordados admitiu recorrer com frequência ao mercado informal. “O preço é acessível e nunca tive problemas. Uso há anos”, disse, recusando-se a revelar a identidade. Por exemplo, um anti-malárico custa 80 meticais no mercado informal, enquanto numa farmácia chega a 200 meticais.

Deslocamo-nos à Direcção de Saúde da Cidade de Maputo para saber o que está a ser feito em relação à circulação de medicamentos nas ruas. A instituição encaminhou-nos ao Conselho Municipal da Cidade de Maputo, autoridade responsável pelos mercados e feiras, onde fomos recebidos por Alice Pedro Magaia de Abreu, vereadora, que reconheceu a gravidade da situação.

A responsável revelou que há estudos indicando que alguns vendedores obtêm os medicamentos ao fingirem ser pacientes em unidades de saúde, conseguindo receitas e acesso aos fármacos, que depois revendem. Essa prática contribui para desvios de medicamentos e perda de recursos no Sistema Nacional de Saúde.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) confirmou que mais de 30 pessoas foram detidas nos últimos dois anos por venda ilegal de medicamentos, com base em denúncias da população. Os medicamentos apreendidos são destruídos por não apresentarem condições de segurança.

O médico Chaves Bernardo, do Hospital Central de Maputo, alerta que a automedicação pode ser fatal. “A dosagem errada e a má conservação comprometem a eficácia e causam efeitos graves.”

Apesar dos riscos, a procura continua elevada, alimentada pela falta de medicamentos nos hospitais, burocracia e falta de tempo dos utentes.

Entretanto, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou esta quarta-feira (23) o início da implementação do Sistema Nacional de Rastreabilidade de Medicamentos — uma plataforma digital que permitirá seguir cada lote “desde a fábrica até ao paciente”.

Conhecido internacionalmente como Track & Trace, o sistema permitirá maior controlo de stocks, melhor planificação e poupança de recursos para o Estado e todos os intervenientes da cadeia farmacêutica. Matias Sande, a partir de Maputo

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas

Exit mobile version