SOCIEDADE
Associação Kóxukhuro apoia 25 famílias vítimas da repressão pós-eleições
A Associação Kóxukhuro, que actua na defesa dos direitos humanos, está a prestar apoio alimentar a um grupo de 25 famílias cujos membros foram vítimas de brutalidade policial nas manifestações que se seguiram às eleições do ano passado, em Nampula. A iniciativa, desenvolvida com o apoio de parceiros, visa aliviar a situação de extrema vulnerabilidade em que estas famílias se encontram.
Cada uma das famílias beneficiárias recebeu um kit alimentar composto por arroz, feijão, frangos, peixe, óleo, sardinha, esparguete e outros bens essenciais, destinados a suprir as necessidades básicas num momento de grande fragilidade
Entre as vítimas identificadas constam sete famílias com crianças, algumas das quais com ferimentos graves e tratamentos médicos interrompidos, sem acesso a cuidados adequados. Muitas dessas famílias perderam os seus meios de subsistência e vivem hoje em condições precárias, sem qualquer tipo de assistência por parte das autoridades.
Gamito dos Santos entrega simbolicamente um kit alimentar a uma das famílias vítimas da repressão pós-eleitoral, em Nampula.
Nos últimos meses, a Kóxukhuro tem intensificado as suas acções junto destas comunidades, com destaque para o processo de reintegração escolar das crianças afectadas. Até ao momento, cinco crianças já foram reintegradas. Muitas perderam as matrículas após os episódios de violência e, por falta de condições, não conseguiram regressar às aulas.
“O nosso compromisso é devolver alguma dignidade a estas famílias. Apesar das limitações financeiras, temos contado com a contribuição dos nossos membros e com o apoio de pessoas solidárias para garantir kits alimentares e apoio social mínimo”, explicou Gamito dos Santos, director executivo da Kóxukhuro.
A associação apela à sociedade civil, às instituições humanitárias e ao Estado para que reforcem o apoio a estas famílias, garantindo o acesso à educação, saúde e justiça. “Estas vítimas não podem ser esquecidas. Precisam de apoio para reconstruir as suas vidas com dignidade”, concluiu Gamito dos Santos.