SOCIEDADE
Arcebispo de Nampula apela à autossustentabilidade da Igreja
O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, afirmou esta quarta-feira (20), na abertura da XV Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, em Momola, que a Igreja Católica precisa de caminhar para a autossustentabilidade, sob pena de continuar “infantil e sem dignidade”. O encontro, que decorre no Centro de Acolhimento “Aldeia da Esperança”, reúne delegados de paróquias, movimentos, grupos de oração, juventude, vida consagrada, entre outros.
Dom Inácio explicou que o lema escolhido — “Por uma arquidiocese sinodal autossustentável no amor e sentido de pertença à Igreja” — traduz a urgência de fortalecer as bases locais da Igreja, inspirando-se na história e olhando para o futuro. “Enquanto mendigarmos tudo de fora, seremos sempre uma arquidiocese infantil. A capacidade de provermos por nós mesmos às nossas necessidades é parte da nossa dignidade”, afirmou, sublinhando que a maturidade cristã exige compromisso concreto de cada membro da comunidade.
Citando o cardeal congolês Fridolin Ambongo, que recentemente advertiu em Kigali que “enquanto a Igreja africana continuar mendiga, nunca será levada a sério”, o Arcebispo frisou que a autossustentabilidade não deve ser reduzida ao aspecto económico, mas entendida como uma exigência pastoral e missionária. Para ele, “não basta conservar o status quo, é preciso ousar mudanças que deem à arquidiocese um rosto mais radioso e capaz de assumir-se a si própria”.
Sete anos depois da última Assembleia Arquidiocesana, realizada em 2018, esta edição pretende avaliar o estado actual da arquidiocese e lançar novas linhas orientadoras. Dom Inácio pediu abertura aos participantes, apelando para que não tragam certezas fechadas, mas uma disposição de escuta. “Precisamos acolher os frutos de uma escuta tripla: a Deus, aos irmãos e ao nosso tempo. Só assim construiremos consensos que façam arder os corações”, disse.
O encontro vai decorrer com a metodologia da “conversação no Espírito”, que privilegia a escuta mútua entre clero, religiosos e leigos. O Arcebispo salientou que a comunhão e a partilha são a chave para enfrentar os desafios actuais, nomeadamente a falta de recursos, a fragilidade pastoral e a necessidade de maior unidade entre as comunidades.
Outro ponto destacado foi a opção preferencial pelos pobres, que segundo Dom Inácio só será significativa se acompanhada por um compromisso prático de solidariedade. “A pobreza, no sentido de miséria, desumaniza o homem. A nossa missão só terá sentido se soubermos estar ao lado dos mais ignorados, servindo com aquilo que temos e vivendo a alegria do Evangelho”, declarou.
A cerimónia de abertura incluiu também um gesto de valorização cultural: o compromisso de utilizar, ao longo dos trabalhos, duas línguas, português e emakhuwa, para garantir a inclusão de todos os participantes e reforçar a identidade local.
Com a Assembleia, a arquidiocese pretende sair mais unida e preparada para o futuro. “Que este encontro nos ajude a crescer como Igreja-Família de Deus, mais autossustentável, unida e comprometida com a missão de servir”, concluiu o Arcebispo de Nampula. Faizal Raimo