SOCIEDADE
APSUM denuncia intimidações e transferências arbitrárias dos seus membros
A Associação de Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUM) denunciou intimidações e ameaças de morte contra o seu delegado na província de Gaza, no Sul do país.
A agremiação suspeita que tais ameaças estejam directamente relacionadas com uma recente carta enviada ao governo, na qual a organização denunciava o incumprimento de acordos relativos às condições de trabalho e ao pagamento de horas extra. A APSUM exige que o governo cumpra os compromissos assumidos.
Segundo o assessor de imprensa da agremiação, David João, após o envio da carta à primeira-ministra e a realização de uma conferência de imprensa para manifestar a sua indignação com a falta de pagamento das horas extra, indivíduos desconhecidos dirigiram-se à residência do delegado provincial da APSUM em Gaza com a intenção de atentar contra a sua vida. No entanto, por coincidência, o delegado não se encontrava no local.
“Estranhamos esse comportamento e repudiamos veementemente tal acto. Já tivemos um caso de assassinato, como o do nosso colega do laboratório em Morrumbene, na província de Inhambane, que foi baleado fatalmente quando se dirigia ao trabalho. Isso preocupa-nos muito”, declarou.
O assessor de imprensa da APSUM também denunciou que, além das ameaças de morte, os membros mais activos da organização, que actuam nas cidades, estão a ser alvo de ameaças de transferência para zonas remotas.
“Não temos dúvidas de que isso está relacionado com as acções que a APSUM tem realizado em defesa dos profissionais de saúde. Em relação às ameaças de morte, este foi o primeiro caso registado. No entanto, as ameaças de transferências são frequentes em todo o país. Recentemente, no distrito de Pebane, profissionais que reivindicavam os seus direitos, como o pagamento de subsídios de turno e horas extra, foram penalizados com transferências forçadas para regiões periféricas”, afirmou David João.
Diante disso, o assessor de imprensa apelou para que o governo dê mais atenção à situação dos profissionais de saúde, ressaltando que as condições de trabalho e como esses trabalhadores são tratados ainda são precárias, apesar de algumas melhorias.
“Já começámos a registar a entrega de uniformes aos profissionais de saúde, um item essencial para protecção e identificação, o que é positivo. No entanto, o governo precisa fazer mais. Actualmente, enfrentamos diversas dificuldades, que consideramos responsabilidade do Estado, como a falta de alimentação nos hospitais para os doentes e a escassez de combustível para evacuação de pacientes. Essas questões são preocupantes para nós, que buscamos melhorias no Sistema Nacional de Saúde”, enfatizou.
Entretanto, em Nampula, o chefe de Estado esclareceu que o pagamento das dívidas com diversas classes profissionais, incluindo professores e profissionais de saúde, está a ser feito de forma gradual, utilizando recursos do orçamento de 2024. Garantiu que todas as pendências serão completamente liquidadas após a aprovação do orçamento para o exercício económico de 2025 pelo Parlamento Moçambicano.
O presidente, Daniel Chapo, afirmou que o seu governo trabalha para sanar todas as dívidas, não apenas com os profissionais de saúde e educação, mas também com empreiteiros e outras categorias afectadas. Vânia Jacinto