ECONOMIA
Agravamento dos custos de transporte está a apertar o bolso dos comerciantes em Nampula
O agravamento dos custos de transporte na cidade de Nampula está a apertar o bolso dos comerciantes e a conduzir à subida do preço final dos produtos. O fenómeno, que afecta significativamente a economia local, penaliza tanto os comerciantes como os consumidores.
A escassez e, consequentemente, a subida do preço dos combustíveis tornaram mais caros os processos logísticos a partir da aquisição no local de origem até ao comércio retalhista. Por conta disso, os comerciantes afirmaram que se vêem obrigados a aumentar o preço final no mercado, de forma a assegurar os lucros e garantir que haja cobertura para os custos operacionais.
No mercado grossista do Waresta, um dos mais importantes da cidade de Nampula, as reclamações entre quem vende e quem compra são comuns.
Chale Atumane Amuza, vendedor no mercado Waresta, sublinhou que a subida de preços de combustível contribui directamente para o aumento dos preços de produtos.
Segundo ele, os vendedores sobem os preços da mercadoria quando o custo de transporte é elevado. “Nós, como revendedores, dependemos de combustível e transporte para ter os produtos; quando o custo de transporte aumenta, nós também somos obrigados a subir os preços dos nossos produtos só para garantir um lucro que cubra todas as despesas feitas, afirmou.
Afonso Amisse, armazenista de feijão no mercado Waresta, conta que o custo de transporte de mercadorias aumentou para o dobro: antigamente, segundo ele, pagava 100 meticais por cada saco de 50 kg de feijão de Malema à cidade de Nampula, mas actualmente o custo atingiu os 200 meticais. Com isso, salienta que as consequências foram imediatas: subida do preço do feijão, redução drástica das vendas e dos lucros.
“Antes desta subida, eu conseguia vender uma tonelada de feijão por dia. Actualmente, é difícil vender sequer 500 quilos,” lamenta o armazenista.
A situação não é diferente para quem vende produtos perecíveis em outros mercados.
No mercado Central de Nampula, Geremias Manuel, vendedor de batata-rena e cebola, falou também que os rendimentos baixaram significativamente.
“Os lucros diminuíram, ultimamente não ganhamos quase nada. Não sentamos em casa porque não temos outra coisa que nos possa ajudar a sustentar os nossos familiares”, afirmou.
Entretanto, os vendedores assistem, impotentes, à diminuição cada vez mais acentuada do seu poder de compra.
Ancha Alberto, residente da cidade de Nampula, afirmou que, com o actual custo de vida, as idas ao mercado se transformaram num desafio de gestão financeira constante.
“Alguns produtos alimentares compramos a preço normal, mas outros produtos compramos a um preço muito elevado”, disse.
Diante do cenário, os comerciantes, assim como os consumidores da cidade de Nampula, unem-se num único apelo direcionado às autoridades competentes no sentido de intervirem com vista à normalização da situação.
Importa referir que a preocupação relativa ao aumento dos preços dos produtos nos mercados locais surge numa altura em que a Assembleia Provincial decidiu rever as tarifas dos transportes interdistritais, sendo que para Malema, considerado o celeiro da província, passará a ser mais caro.