ECONOMIA
Administrador de Meconta volta a denunciar exploração laboral em obras da fábrica de caju em Nacavala
O Administrador do distrito de Meconta, Orlando Muaievano, voltou a denunciar as más práticas laborais nas obras de construção da fábrica de processamento da castanha de caju, em Nacavala, pertencente à empresa Ferrão Investimentos.
Durante a sua visita ao local, constatou que a maioria dos trabalhadores continua sem contratos de trabalho, recebendo salários baixos e sem material de protecção adequado. Apenas quatro operários têm contratos assinados, enquanto os restantes labutam sem qualquer segurança jurídica.
Os próprios trabalhadores confirmaram as condições precárias. Pedreiros e ferreiros recebem cinco mil meticais mensais, enquanto serventes auferem apenas três mil. Muaievano considerou os valores indignos e comparou-os com rendimentos informais.
“Um pedreiro que ergue uma fábrica como esta recebe 145 meticais por dia. Até quem vende castanhas à beira da estrada ganha mais do que isso. Isto é exploração e burla”, afirmou.
O administrador sublinhou que, em contrapartida, um trabalhador braçal na colheita de castanha consegue arrecadar cerca de 13.500 meticais mensais, muito acima do que é pago na empreitada.
O dirigente exigiu a revisão urgente dos contratos e das tabelas salariais, lembrando que o salário mínimo deve ser respeitado.
“Se fosse alguém de Maputo, da África do Sul ou outro estrangeiro, de certeza não pagariam cinco mil ou três mil meticais. Mas porque são daqui, pagam pouco e sem contrato. Isso não pode continuar”, criticou.
O administrador alertou que, se a situação persistir, o Governo poderá sancionar a empresa. “Não podemos permitir que uma obra que se prevê concluir até 2028 seja feita à custa da exploração dos moçambicanos”, concluiu.
Ainda no Posto Administrativo 7 de Abril, Muaievano visitou um Comité de Gestão dos Recursos Naturais na localidade de Nacoma, onde apurou-se que o presidente, em colaboração com líderes locais, terá desviado quase 150 mil meticais. O administrador ordenou a devolução integral do valor no prazo de 30 dias, findo o qual prometeu responsabilizar judicialmente os implicados. Faizal Raimo