SOCIEDADE
Académicos alertam que mais nascimentos podem agravar desigualdade social em Nampula
O geógrafo Tomás Benjamim Machili e o sociólogo Óscar Namuholopa alertam que o registo de cerca de 90 mil partos em um trimestre, na província de Nampula, poderá agravar problemas sociais, económicos e de acesso aos serviços básicos, sobretudo entre as famílias com poucos recursos.
Os especialistas apontam, em comum, que o crescimento acelerado da natalidade está associado à falta de esclarecimento da população, à baixa escolaridade, a factores culturais e à insuficiência de acções de sensibilização sobre o planeamento familiar.
O Mestre em Geografia, Benjamim Tomás Machili, considera também que o aumento da natalidade está ligado a factores biológicos da mulher. Segundo ele, as estatísticas demográficas do último censo populacional revelaram que raparigas antes dos 15 anos de idade podem ter a primeira menstruação. E isto, consequentemente, pode conduzir à procriação ou à reprodução precoce.
Óscar Namuholopa, Sociologo
Além disso, raparigas sem apoio familiar são expostas à prostituição e a outras formas de sobrevivência precária.
“Nos últimos anos, temos assistido a crianças que não têm pai e mãe, elas auto-alimentam-se e acabam seguindo a vida da prostituição. Isto condiciona, provavelmente, também estes nascimentos que vão duplicando os números”, disse Machili.
O geógrafo acrescentou que factores culturais, como casamentos prematuros, também contribuem para o aumento da natalidade.
“De um lado, deve-se a factores culturais, principalmente os casamentos prematuros, e do outro lado, também temos na sociedade moçambicana, e no caso específico de Nampula, crianças que se alimentam na base da prostituição”, sublinhou.
Para o sociólogo Óscar Namuholopa, este aumento populacional tende a agravar a vulnerabilidade infantil, sobretudo em famílias com fracos recursos económicos, que têm dificuldades inclusive de alimentação, cuidados básicos e educação adequada.
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