ECONOMIA
8 mil deslocados reassentados em Alua após ataques em Memba
Os ataques armados registados nos últimos dias no distrito de Memba já provocaram cinco mortos e forçaram a fuga de cerca de 1.600 famílias — o equivalente a 8 mil pessoas —, agora reassentadas no posto administrativo de Alua, no distrito de Eráti. A informação foi avançada esta terça-feira pelo governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, durante a sua visita aos centros de acolhimento, com dados actualizados pelo Conselho Executivo Provincial até às 11h00.
Segundo o governador, o número de deslocados pode ser ainda maior, uma vez que continuam a chegar famílias em trânsito. “Até ao momento, só aqui na zona de Alua temos 8.000 pessoas — estamos a falar de 1.600 famílias — mas ainda estamos a cruzar com pessoas com bagagens na cabeça, o que quer dizer que não são dados finais. Pode ter aumentado. Também estou a receber registo de 50 deslocadas em Nacarôa e vou ali parar, para além daqueles que estão a dirigir-se para a vila-sede de Namapa”, explicou.
Insegurança persiste em Mazua e Chipene
Eduardo Abdula admitiu que a situação de segurança permanece crítica.
“A insegurança ainda prevalece nas zonas de Mazua e Chipene, como as áreas mais críticas neste momento. Vamos trabalhar para que a nossa força possa garantir segurança,” afirmou, referindo-se aos focos activos de violência que continuam a obrigar centenas de famílias a abandonar as suas casas com poucos ou nenhuns bens.
Assistência ainda insuficiente
Para responder à emergência humanitária, o Governo Provincial, em coordenação com o INGD, disponibilizou 50 tendas e produtos alimentares transportados em três camiões — dois do INGD e um do Conselho Executivo Provincial, resultado de uma angariação interna.
“A alimentação não vai chegar para todos. O INGD está a fazer o levantamento das famílias,” alertou o governador.
Foram ainda identificados outros espaços de acolhimento para absorver o fluxo crescente de deslocados.
“Temos 53 tendas, mais um armazém identificado a dois metros daqui que pode albergar outras famílias, e duas igrejas que dispensaram os seus espaços. Vamos organizar as famílias por grupos: mulheres e crianças numa parte, e homens noutras tendas. Vai ser difícil, mas a partir de amanhã devem começar a chegar mais ajudas — fui garantido pelos parceiros,” disse Eduardo Abdula.
A situação em Memba e Eráti evolui rapidamente, com as autoridades a reforçarem a resposta humanitária numa corrida contra o tempo para assegurar abrigo, alimentação e segurança às milhares de pessoas forçadas a abandonar as suas comunidades. Assane Júnior