POLÍTICA
3.ª Comissão da AR exige mais acções contra má nutrição e desemprego em Nampula
A 3.ª Comissão da Assembleia da República, dos Assuntos Sociais, Género, Tecnologia e Comunicação Social, considera que, apesar dos avanços registados na província de Nampula, persistem desafios sérios relacionados com o emprego juvenil e a má nutrição. A constatação foi feita após uma visita de fiscalização, que incluiu um encontro com o Secretário de Estado da província.
A vice-presidente da Comissão, Elcina Eugénia Marins, reconheceu os esforços do governo local em áreas como educação, saúde e acção social, mas alertou para as dificuldades que os jovens continuam a enfrentar no acesso a oportunidades de trabalho. “Os jovens são aqueles que estão à procura de emprego. Nós sabemos que o Estado não tem como empregar a todos, mas deve encontrar formas de mobilizar o sector privado, porque é do empresário que vem a maior parte do emprego. Também temos apelado para que os jovens participem nas formações profissionais, que podem abrir portas para oportunidades futuras”, afirmou.
A deputada acrescentou que a agricultura pode tornar-se um espaço de maior protagonismo juvenil. “Os jovens empreendem pouco na agricultura porque ainda a associam a uma actividade dos mais velhos. No entanto, em vários países, os jovens organizam-se em grupos, produzem, processam e já colocam o produto final no mercado, inclusive para exportação. É um caminho que pode gerar emprego e rendimento”, destacou.
Outra preocupação levantada pela Comissão foi a persistência da má nutrição em Nampula, apesar de a província ser uma das mais produtivas do país. “Nampula produz e até importa, mas porquê ainda temos má nutrição? Recomendamos uma aposta na educação nutricional. É preciso ensinar a comer de forma equilibrada. Um prato simples de feijão faz a diferença. Temos batata-doce, mandioca, inhame – todos alimentos nutritivos que devem fazer parte da dieta diária das crianças para combater a malnutrição”, sublinhou.
A visita da 3.ª Comissão enquadra-se no exercício de fiscalização parlamentar, através do qual os deputados acompanham a execução de programas sociais e económicos e recolhem preocupações directamente da população.