SOCIEDADE
Instituto Politécnico Boa Esperança gradua 510 técnicos de saúde em Nampula
O Instituto Politécnico Boa Esperança, em Nampula, graduou na última sexta-feira (30 de Maio de 2025), 510 técnicos médios de saúde, distribuídos entre os cursos de Enfermagem Geral (185 formandos), Medicina Geral (153) e Saúde Materno-Infantil (172). A cerimónia decorreu sob um ambiente de celebração, mas também de apelos à responsabilidade profissional e à perseverança.
Durante a cerimónia, o representante do Serviço Provincial de Saúde, Nurdine Alfredo, desafiou os recém-formados a manterem um comportamento ético e exemplar diante da nova missão que abraçam. “Esta etapa marca o início de uma nova vida e a abertura de novos horizontes. O país precisa de profissionais determinados, competentes, éticos e, acima de tudo, humanos. Devem aplicar o que aprenderam, buscar soluções para os problemas que afligem as comunidades e evitar serem parte dos problemas”, afirmou.
Entre os graduados, Zalmindo Armindo Francisco, do curso de Medicina Geral, destacou que o sucesso alcançado resulta de um esforço conjunto entre familiares, colegas e docentes. “Ser graduado não é o fim. É só o começo. Quero continuar a estudar e contribuir para a sociedade, apesar das dificuldades no acesso ao emprego”, disse.
Esmeralda Castro, recém-formada, reconheceu os desafios que se colocam no mercado de trabalho, mas defendeu uma postura proactiva: “Temos de nos adaptar. Se não houver emprego na área, é preciso procurar alternativas. O importante é não parar.”
Esperança da Silva Manuel afirmou-se pronta para enfrentar o mundo laboral. “Passei por vários estágios e sinto-me preparada. Digo aos colegas que estudar vale a pena, mas é fundamental continuar a actualizar-se, porque a ciência está sempre a evoluir”, disse.
Das 510 pessoas graduadas, 390 são mulheres, o que representa um avanço significativo na participação feminina no sector da saúde. O director-geral do Instituto, Alarquí Ali, sublinhou esse dado como sinal claro do compromisso da instituição com a inclusão. “A presença feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como a saúde, fortalece a resposta sensível às necessidades das comunidades, sobretudo em cuidados materno-infantis e saúde comunitária.”
Alarquí Ali revelou ainda que o Instituto Boa Esperança prepara-se para iniciar o ensino superior nas áreas de saúde e bem-estar. “Acreditamos numa formação técnica sólida, mas também numa progressão académica que permita carreiras sustentáveis. Em breve, ofereceremos cursos superiores para que os nossos graduados possam continuar os estudos sem abandonar as suas regiões de origem.”
Em 2024, o Instituto formou 700 técnicos. Com os novos graduados, soma agora 1.200 profissionais formados, com enfoque no reforço do sistema de saúde na região norte do país, onde o défice de quadros continua a comprometer o acesso e a qualidade dos cuidados. Zeferino Jumito