OPINIÃO
1 de junho e criancas desamparadas
Primeiro de junho dia dedicado as criancas, E o dia que as criancas tomam seu melhor banho e os pais desenterram as roupas expeciais dedicada ao dia e depois de um almoco digno vao passeando com a panca cheia satisfeitos e aproveitando o dia assim como o mes . mas Se os adultos tivessem tempo e paciência de localizar, registar e contabilizar todas as crianças desfavorecidas ou desamparadas em Moçambique, certamente que ficariam assustados pelo número, algarismos suficientes de uma população que, por si só, poderiam representar mais que a metade da população total do país, cujo aumento continua a verificar-se sem cessar.
Aliás, este grupo inocente e ingénuo, já mostrou aos adultos que pode caminhar normalmente sem que ninguém lhes pegue pelo braço. Estes pequenos heróis, de tanto gritar por socorro sem resposta imediata, perante enormes dificuldades da vida, do dia-a-dia, a procura das pegadas do futuro, acabaram descobrindo seu próprio talento.
Sem precisar de qualificações da sua mentalidade, estes sofredores modernos, pequenos em tamanho mas, grandes em virtudes, já nada exigem para colocar à mostra sua mestria na luta pela sobrevivência. A escola da vida lhes ensina onde buscar inspiração para alimentar o sonho que lhes conduz contra a navegação, instinto que lhes ampara o coração.
É isso mesmo! Não é preciso frequentar grandes universidades para perceber que na terra onde vivem não é lugar indicado para brincadeiras. A inteligência é amiga das oportunidades, ela evolui na medida em que o vento vai soprando na cara de cada um. Uns levados pela verdade e outros pela ironia do destino. Mas, estes meninos são verdadeiros empreendedores fascinantes, pilotos de si próprios.
A arte de viver detesta cobardes. Por isso, no meio do labirinto, entre incertezas, numa correria absurda, onde todos os dias, estes petizes se expõem, encontram motivos para a sua auto-superação. Em criança, uma pessoa normal, apercebe-se do ridículo de continuar a chorar por um brinquedo que não é seu, e daí, sem conselho de ninguém, aquela criança repentinamente pára.
Muito cedo, uma criança desamparada apercebe-se que, ao invés de estar choramingando sem que alguém a acuda, pedir sem que haja resposta, o melhor é retirar-se do meio e isolar-se no canto do pátio. E daí vai desenhando o seu horizonte que, com o tempo vai descobrindo novas coisas que ajudam-na a permanecer calma, consciente e obediente.
Ela apercebe-se rapidamente que é preciso ir à luta, recolhendo restos doutras crianças supostamente amparadas. E assim, muito cedo lança-se ao mercado de trabalho, disputando o espaço com os mais velhos. Graças à sua agilidade, por vezes, tem conseguido furar esquemas difíceis e delicados, para contentar-se com o pouco que cai em suas mãos.
Mesmo sem conhecer os seus direitos e deveres, a criança desamparada desconfia haver algo parecido a isso, por isso ela cumpre com zelo a sua parte. Contrariamente à realidade, assiste-se cada vez mais à criação de associações e correntes de solidariedade em nome da criança desfavorecida, com o objectivo de garantir meios materiais e financeiros que nunca bastam.
Por fim, num fechar e abrir dos olhos, os adultos se aperceberão que muito têm feito para aliviar o sofrimento dos mais pequenos desamparados que, daqui a pouco serão também adultos, sentados no mesmo restaurante da cidade, onde outrora a sua missão limitava-se em lavar e guarnecer veículos de terceiros.
No entanto, é importante lembrar que, perante os abusos e intolerância dos adultos, as crianças sabem guardar o fluxo de imagens que caem sobre si e gravam nas suas pulsações nervosas, coisas de que se lembrarão durante a vida toda. O frio, o sol, a sede, a fome, a chuva e as tempestades são alguns dos exemplos que ficam filtrados e marcados dentro de si.
Apesar de tudo isto, uma pergunta fica no ar: como ajudar as crianças desfavorecidas e desamparadas, um numero que cresce a cada dia que passa, desafiando as capacidades do governo, a sociedade civil e outras personalidades? Certamente muitos dirão, “não é possível, não é desta vez”!