ECONOMIA
Zaqueu defende políticas para reduzir burocracia bancária e incluir zonas rurais
O economista e docente universitário Domingos Zaqueu defendeu ao Rigor que o Banco de Moçambique deve criar políticas inclusivas para reduzir a burocracia na abertura de contas e garantir maior acesso da população rural ao sistema financeiro formal. O académico alertou que as exigências excessivas dos bancos comerciais estão a afastar milhares de cidadãos, sobretudo agricultores, e a empurrá-los para os serviços de carteiras móveis oferecidos pelas operadoras de telefonia.
Segundo Zaqueu, a situação é crítica nas zonas rurais, onde vive a maioria da população moçambicana. “Grande parte dos agricultores não tem domínio sobre toda a documentação exigida pelos bancos. Além disso, nestas zonas a presença de instituições bancárias é escassa, o que torna a adesão às contas móveis quase inevitável”, afirmou, lembrando que estas comunidades são responsáveis por grande parte da produção agrícola e comercial do país.
O economista sublinhou que, embora os bancos comerciais ofereçam mais segurança e mecanismos de responsabilização em caso de problemas, as carteiras móveis acabam por ser mais atractivas devido à simplicidade de adesão e facilidade de uso. Por isso, considera indispensável que o Banco de Moçambique desenhe políticas que obriguem os bancos a incluir as zonas recônditas no seu raio de actuação, ao mesmo tempo que se reforce a fiscalização sobre as operadoras móveis para combater burlas e aumentar a credibilidade destes serviços.
“É essencial criar condições para que os cidadãos das zonas rurais tenham acesso a contas bancárias sem serem afastados pelo excesso de exigências, mas também é importante promover campanhas de informação e educação financeira que sensibilizem a população para a importância de usar os bancos comerciais”, acrescentou.
Cidadãos ouvidos pelo Rigor também confirmam que muitos moçambicanos aderem aos serviços de carteira móvel devido à sua simplicidade. As opiniões recolhidas demonstram que, apesar da segurança e do estatuto que uma conta bancária ainda representa, a realidade social e económica leva a maioria a optar pelas soluções móveis. Para os jovens sem emprego formal ou para os agricultores que vivem em zonas distantes, o banco surge como uma instituição distante, enquanto o telemóvel se apresenta como um instrumento imediato de inclusão financeira.
Outro aspecto levantado pelos cidadãos é a sensação de liberdade e praticidade que os serviços móveis oferecem. Diferentemente das instituições bancárias, onde o processo é burocrático e muitas vezes lento, as carteiras electrónicas permitem transacções rápidas e em qualquer localidade. Para muitos, a escolha não é apenas por conveniência, mas pela falta de alternativas reais, o que reforça a necessidade de políticas que aproximem a banca comercial da maioria dos moçambicanos.
Sataca Amade Muquissirima destacou a rapidez: “Alguém em Maputo manda-me dinheiro e eu levanto na hora, sem filas”.
Já Abacar Mussa, empreendedor, explicou que “para os distritos sem bancos, o E-Mola e o M-Pesa facilitam a vida e tornam os negócios possíveis”.
Pedro Paulo, cliente bancário, admitiu que, embora tenha conta num banco comercial, encontra mais vantagens nas plataformas móveis: “Faço levantamento imediato, sem precisar de ATM. Mas se tiver emprego formal, aí posso usar mais o banco”.
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