ECONOMIA
UniRovuma e instituições chinesas lançam projecto de arroz do mar
A Universidade Rovuma (UniRovuma) anunciou o lançamento de um ambicioso projecto de produção de arroz híbrido adaptado a zonas salinas, conhecido como arroz do mar, em parceria com instituições científicas da República Popular da China, com o objectivo de reduzir a dependência de Moçambique das importações de arroz e reforçar a soberania alimentar do país.
A iniciativa foi apresentada em Nampula, durante a sessão de balanço da visita técnica e institucional de uma delegação chinesa composta pela Universidade Oceânica de Guangdong e pelo Instituto de Pesquisa de Arroz Marinho da Baía de Beibu Norte de Guangxi, instituições especializadas em investigação agrícola avançada e na adaptação de culturas a ambientes extremos.
Ao longo de três dias, a delegação percorreu os distritos de Angoche e Larde, onde avaliou campos experimentais, áreas de produção agrícola e infra-estruturas laboratoriais, bem como as condições agroecológicas das zonas costeiras afectadas pela salinização dos solos, com vista à implementação faseada do projecto.
Segundo o reitor da Universidade Rovuma, Mário Jorge Brito, a parceria resulta de contactos estabelecidos há cerca de dois meses, durante uma visita oficial à China, e visa desenvolver, a partir de variedades moçambicanas, um arroz de alto valor nutricional, com aroma e sabor melhorados e um ciclo de produção significativamente mais curto.
“É um projecto que pretende desenvolver, a partir do nosso arroz moçambicano, uma qualidade bem melhorada, em que o ciclo de produção deixe de levar cerca de 150 a 160 dias e possa baixar radicalmente para menos de 100 dias”, explicou o reitor, sublinhando que a redução do ciclo produtivo poderá permitir duas a três colheitas por ano.
O projecto prevê igualmente a instalação de laboratórios modernos na UniRovuma, destinados a reforçar a investigação científica, a formação prática de estudantes e o uso de tecnologias avançadas de monitoria das culturas, consolidando o papel da universidade na inovação agrícola.
De acordo com a UniRovuma, o arroz híbrido poderá ser produzido em zonas invadidas por águas salinas sem apresentar sal no produto final, mantendo qualidade comparável ou superior, ao arroz produzido em condições normais, constituindo uma resposta estratégica aos impactos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.
A universidade assegura ainda que o projecto será implementado sem retirada de terras às comunidades locais, prevendo a integração directa dos agricultores, que poderão adquirir mudas melhoradas, produzir nos seus próprios campos e vender a colheita à universidade, passando a integrar a cadeia de valor do arroz e dos seus derivados. Vânia Jacinto
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