OPINIÃO
Um Novo Ano com Antigos Problemas
O calendário muda, os fogos iluminam o céu por breves minutos e os abraços de “feliz ano novo” renovam promessas que parecem sinceras. Mas, passada a euforia da meia-noite, a realidade desperta cedo. O ano é novo, sim, mas os problemas continuam antigos, teimosos, enraizados, quase hereditários.
Entramos em mais um ano carregados de expectativas. Dizemos que agora será diferente, que desta vez haverá mudanças reais. No entanto, as mesmas estradas esburacadas continuam a conduzir-nos ao trabalho, os mesmos hospitais carecem do básico, as escolas mantêm salas superlotadas. Mudou o ano, mas não mudou a dor de quem acorda cedo sem saber se terá pão à mesa ou transporte para chegar ao trabalho. Mudou o número no calendário, mas não mudou a indiferença de quem governa para quem é governado.
O povo não pede milagres, pede o básico: água que corra nas torneiras, energia que não falhe, saúde que não seja um privilégio e educação que prepare o futuro. Pede respeito. No entanto, até o mínimo parece excessivo para quem decide longe da realidade de quem sofre. O novo ano passa a ser apenas um novo capítulo do mesmo livro mal escrito.
Enquanto isso, a esperança vai sendo empurrada para o próximo ano, como se fosse uma dívida eterna. “Talvez agora melhore”, dizem uns. “Vamos ver como será”, dizem outros. E assim o tempo avança, mas os problemas ficam, enraizados na falta de vontade política.
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