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SOCIEDADE

Tragédia no Dia da Mulher: 244 atendimentos, 44 agredidos, 2 crianças violadas

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O Dia da Mulher Moçambicana foi assinalado com um registo sombrio na cidade de Nampula. O Hospital Central local classificou como “anormal” o movimento no Serviço de Urgência do Banco de Socorro, que só no dia 7 de Abril atendeu 244 pacientes, incluindo 44 vítimas de agressões físicas, 35 feridos em acidentes de viação e duas crianças violadas sexualmente.

De acordo com o director dos Serviços de Urgência, Sulaimana Isidoro, os pacientes começaram a dar entrada a partir das 7 horas da manhã e, até ao início da manhã do dia seguinte, o fluxo manteve-se elevado.

“O serviço de urgências, ao longo do dia 7 de Abril, comportou-se de forma agitada. A maior parte dos pacientes que atendemos foram vítimas de acidentes de viação e agressões físicas. Tivemos também dois casos de violência sexual: uma criança de dois anos e outra de 14 anos. Isso mancha o que deveria ser um dia de celebração”, lamentou.

Mulheres em maioria e crianças entre os agredidos

Entre os atendidos, as mulheres representaram a maioria dos casos, facto que agrava ainda mais o simbolismo do dia dedicado à mulher moçambicana. Segundo o director, dez crianças com menos de dez anos também deram entrada no hospital por agressões físicas.
“Tivemos entrada de homens e mulheres, mas a maior parte foram mulheres. O que se viu neste 7 de Abril é anormal. Não pode continuar assim”, alertou.

O cenário exigiu esforço redobrado das equipas médicas, com serviços de cirurgia a operar continuamente desde as 19h até ao amanhecer.

“Isto implica maior consumo de material médico-cirúrgico, maior desgaste da equipa, e é importante realçar que cerca de 90% dos pacientes estavam em estado de embriaguez”, denunciou Sulaimana Isidoro.

Apelo à responsabilidade em dias festivos

O hospital continua a registar novos pacientes e, segundo o responsável, há suspeitas de que algumas vítimas foram directamente para a morgue devido à gravidade dos atropelamentos sofridos.
“A sorte é que, pelo menos dentro do serviço, não registámos óbitos. Mas não há dúvida de que alguns casos tenham ido directamente à casa mortuária”, afirmou.

Sulaimana Isidoro aproveitou a ocasião para lançar um apelo ao civismo e à responsabilidade, especialmente na véspera e durante dias festivos.

“Se queremos festejar, temos de o fazer com prudência. O que vemos hoje é o reflexo de pessoas a tentar, entre aspas, ‘pagar tudo o que não foi feito antes’ por causa da pandemia e outras restrições. Mas não podemos continuar a chorar nas nossas casas no dia seguinte porque alguém está hospitalizado ou com o rosto desfigurado”, concluiu.  Vania Jacinto

 

 

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