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OPINIÃO

Tchapo, Tchapo: 358 dias depois Angoche Ainda Está à Espera

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O tempo passa como quem não pede licença, mas a memória fica como quem sabe esperar. Passaram 358 dias desde que Daniel Francisco Chapo tomou posse como Presidente da República, e em Angoche o calendário não virou distração: virou lembrança. Porque há datas que não se apagam, há palavras que não se dissolvem no pó dos comícios.

Foi a 19 de Setembro de 2024, no bairro da Boleia, que o então candidato falou alto e claro. Falou como quem semeia futuro diante de uma multidão que acreditou. Falou da reabertura da fábrica de castanha de caju, prometendo trabalho onde hoje mora o desemprego juvenil. Falou da construção de uma escola secundária no Inguri, não em qualquer ponto do mapa, mas ali mesmo, onde os estudantes crescem com sonhos maiores que as salas disponíveis. Falou da ampliação e melhoria do Hospital Rural de Angoche, para que deixasse de ser apenas um lugar de chegada urgente e passasse a ser um espaço de cuidado digno. Falou ainda da expansão da rede eléctrica, como quem acende luzes para o desenvolvimento e não apenas lâmpadas nas paredes.

Hoje, quase um ano depois, escrevemos não com raiva, mas com ritmo. Não para acusar, mas para lembrar, porque a cidadania também tem poesia quando cobra. A escola do Inguri continua em espera, e a espera também educa: ensina-nos a exigir com clareza. Queremos a escola ali, no Inguri, como foi dita, como foi ouvida, como foi sonhada. Nem deslocada, nem reinterpretada, nem empurrada para amanhã.

O hospital continua a pedir fôlego. Queremos vê-lo crescer, ganhar corpo, ganhar resposta, ganhar humanidade. Queremos que seja o hospital que o discurso prometeu e a dor diária exige. A fábrica de castanha de caju permanece fechada, e cada portão trancado é um jovem parado, um futuro suspenso, uma economia que não gira. Reabrir a fábrica não é nostalgia industrial; é urgência social.

Importa dizer, e dizer com elegância firme: não controlamos apenas promessas escritas em manifestos ou alinhadas em planos quinquenais. Controlamos a palavra dita em voz alta, no comício popular, diante do povo. Porque ali, na praça, a promessa ganha peso moral. E é por isso que lembramos.

Foi assim que lembrámos ao Presidente do Município, João Ferreira (Mandevo 2019), a prometida praia artificial. Não com insultos, mas com insistência. Não com barulho vazio, mas com memória. E hoje, ainda que lentamente, alguns sinais começam a aparecer. Porque quando o povo lembra, o poder acaba por ouvir.

Esta crónica é um sussurro que quer chegar ao gabinete presidencial. Um lembrete escrito com respeito, mas sem timidez. Tchapo, tchapo, como quem diz: depressa, mas com cuidado; rápido, mas com compromisso. Angoche está atenta. Não esqueceu o comício, não esqueceu a Boleia, não esqueceu as palavras.

A memória também governa.
E Angoche continua aqui, à espera que a palavra caminhe até à obra.

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