OPINIÃO
Suposta detenção do líder dos Naparamas: encenação ou realidade?
O Comando Provincial da PRM em Nampula anunciou, através do seu Chefe de Relações Públicas, a detenção de um suposto líder dos Naparamas, grupo que actua em Mutuali, no distrito de Malema.
A detenção foi acompanhada por pedidos de desculpas do referido indivíduo, que começou por implorar clemência ao partido Frelimo, à PRM e, por fim, ao Governador da Província, Atata Yasalimo.
Sinceramente, na minha opinião pessoal, não consigo engolir esta história. Recordo que, durante as manifestações, o Governo qualificou os Naparamas como uma extensão do terrorismo de Cabo Delgado — uma narrativa que, pessoalmente, desmenti em várias ocasiões e através de diferentes canais de comunicação.
Recentemente, uma equipa do Governador anunciou que a situação em Mutuali estava resolvida e que até tinha havido um jogo de futebol de onze entre os Naparamas e os agentes das FDS, como sinal de entendimento. No entanto, essa aparente pacificação foi desmentida em apenas 24 horas, quando surgiram novas confusões que culminaram numa chacina promovida por elementos das FDS, episódio este publicamente condenado pela Igreja Católica, com repúdio expresso pelo Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre.
Agora, assistimos a este novo “teatro barato”: segundo relatos dos jornais Jornal Rigor e Ikweli, o suposto líder detido teria afirmado que o grupo actuava sob promessas de emprego feitas por Venâncio Mondlane. Será verdade?
A conferência de imprensa para a apresentação do suposto líder ocorreu na sexta-feira, 25 de Abril, e, curiosamente, hoje, segunda-feira, 28 de Abril, o Governador encontra-se novamente em Malema, Mutuali, alegadamente para receber mais 63 integrantes do grupo. Um desfecho tão rápido — de sexta a segunda-feira — não levanta suspeitas? E por que motivo o suposto líder teria de pedir desculpas ao partido Frelimo?
Há algo nesta história que precisa de ser melhor explicado. A ver vamos…
É urgente que Venâncio Mondlane venha a público esclarecer por que razão o seu nome está a ser associado como suposto mandante e em que circunstâncias teria prometido emprego aos nossos irmãos em Mutuali.
Caso para dizer: “Munna, há muito malabarismo nesta nossa terra do Índico.”
Vou acompanhar a Chama da Unidade. Boa noite.
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