ECONOMIA
Só 25% do orçamento agrícola chegou a Nampula e travou projectos estruturantes, alerta Director Provincial
A província de Nampula recebeu menos de 25% do orçamento agrícola previsto para 2025, uma quebra que comprometeu a execução de projectos essenciais para aumentar a resiliência produtiva e melhorar o escoamento da produção. A revelação foi feita esta quarta-feira pelo Director Provincial de Agricultura e Pescas, Manuel Chicamisse, que classificou o ano como “positivo, mas reservado” devido ao impacto acumulado dos ciclones, das vias destruídas e do bloqueio financeiro.
Segundo Chicamisse, estavam previstos entre 15 e 20 milhões de meticais para investimentos estruturantes, mas a província teve acesso a apenas uma fracção do valor. Como consequência, ficaram por executar obras essenciais como regadios, represas, tanques caracicidas, infra-estruturas pecuárias e sistemas de apoio à irrigação, elementos considerados fundamentais para reduzir vulnerabilidades climáticas.
“Os nossos projectos de investimento ficaram afectados. O orçamento do Estado foi muito deficitário e não conseguimos avançar com regadios, represas e tanques para assistência animal”, lamentou.
O ano agrícola ficou igualmente marcado por três ciclones consecutivos que afectaram cerca de 110 mil hectares no início da campanha, reduzidos depois para 36 mil hectares graças a intervenções rápidas de drenagem e reposição de culturas. O Director Provincial sublinhou que, sem estas acções de emergência, a perda teria sido “muito mais severa”.
Mas o impacto das intempéries não se limitou às culturas. As vias de acesso foram seriamente danificadas, deixando distritos como Lalaua, Monapo, Moma, Mossuril, Ilha de Moçambique e Liúpo com escoamento condicionado durante semanas. Produtos como batata-doce, feijão e hortícolas ficaram retidos devido ao bloqueio das estradas, agravado pela interdependência comercial com Cabo Delgado.
“Com as vias condicionadas e a incerteza no transporte, muitas produções correm risco de deterioração”, explicou Chicamisse.
Apesar das dificuldades financeiras e climáticas, o sector registou um crescimento entre 2% e 2,5%, alinhado com a média histórica. Chicamisse atribui o desempenho ao esforço técnico local e às intervenções orientadas pelo Presidente da República, que determinou a reabilitação urgente de vias primárias após os ciclones.
O Director Provincial reforçou, contudo, que o balanço positivo apenas se mantém “com reservas”, devido ao bloqueio orçamental e à dimensão dos choques climáticos enfrentados este ano. Sem esses obstáculos, sublinhou, Nampula poderia ter alcançado “um desempenho plenamente positivo”. Assane Júnior
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