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Seja pai do seu filho, antes que o traficante o adopte
Já não basta perdermos jovens. Agora estamos a perder crianças. Crianças que deviam estar a brincar, a sonhar, a aprender… mas que hoje andam a vender droga, a fumar coisas que nem sabem o que são, a roubar para sustentar o vício. Crianças com olhos tristes e vazios, com a alma quebrada antes mesmo de entenderem o valor da vida.
E o mais revoltante é que isto acontece debaixo do nosso nariz. Nas ruas que atravessamos todos os dias, nos bairros onde vivemos, nos mercados onde compramos o pão. Todos os dias, os meios de comunicação trazem histórias que deviam envergonhar-nos a todos. Crianças presas com pacotes de droga no bolso. Miúdos que deviam estar na escola, mas que passam o dia a fazer recados para os traficantes. Meninas que vendem o corpo para comprar uma dose. Meninos que assaltam à faca para ganhar dinheiro fácil. A pergunta repete-se: onde estão os pais? Onde está a família?
A sociedade está doente. E parte da culpa é da família que deixou de cumprir o seu papel. Hoje em dia, muitos pais acham que ser pai é só pagar propina ou dar comida. Outros nem isso conseguem fazer. Mas ser pai é muito mais: é acompanhar, é educar, é corrigir.
Não se educa só com palavras doces. Educa-se com firmeza, com presença, com limites.
Educar é dizer “não” quando for preciso. Educar é ensinar o que é certo, mesmo quando isso dói. Muitos pais perderam o controlo dentro de casa. As crianças mandam mais que os próprios pais. Um filho exige um telefone caro, o pai vende a bicicleta para satisfazer o pedido. A filha quer ir a festas suspeitas, a mãe diz “vai com cuidado” só para evitar brigas.
Estamos a criar uma geração que só sabe exigir, mas que não aprendeu a obedecer.
Crianças com direitos em excesso e deveres em falta. Crianças que nunca ouviram um “não” verdadeiro.
E o que dizer das casas onde a criança cresce a ver o pai a bater na mãe? Onde os pais bebem até cair, e a criança vê tudo! Como podemos esperar que essa criança cresça equilibrada, com valores? Em muitos lares, a violência é o único idioma falado. E depois, queremos que a escola resolva tudo. Mas a escola não é milagreira. Se em casa não há base, não há milagre que salve. Há também o problema das igrejas vazias de crianças e cheias de adultos cansados. Onde estão os jovens? Onde estão as crianças ao domingo de manhã? Estão a dormir? Estão nas ruas? Estão a jogar no telefone? E os pais? Estão ocupados demais, desinteressados demais, distraídos demais. Vivemos numa época em que o vício é moda. Muitos jovens acham bonito fumar, beber, consumir drogas, e até mostrar nas redes sociais. Os ídolos da juventude são muitas vezes músicos que glorificam o crime, a droga, a vida fácil. A televisão ensina o sexo antes do respeito. Os vídeos promovem a luxúria antes do trabalho. E o que os pais fazem? Nada. Ficam calados. Ou então dizem: “isso é da idade”. Mas esquecem-se de que o que hoje é “da idade”, amanhã será o problema de toda a vida.
Os vizinhos também têm culpa. Sabem quem vende droga no bairro. Sabem quem recruta menores para o tráfico. Mas não denunciam. Têm medo ou não querem meter-se.
O medo é compreensível, mas o silêncio é criminoso. Porque o traficante que hoje não mexe com o teu filho, amanhã pode usá-lo como mula, como escudo, ou como cadáver.
Vejo coisas todos os dias que me apertam o coração. Crianças com raiva dos pais. Filhos a ameaçar matar o pai porque este não quis dar dinheiro para as suas vontades. Irmãos a roubar dentro de casa. Raparigas novas a engravidar de homens mais velhos que as usam e depois largam. E tudo isto continua porque nós permitimos. Porque os valores morreram em muitas famílias. O problema não é só pobreza. Porque há famílias pobres que educam bem. Que mesmo sem sapatos nos pés, ensinam dignidade. Que mesmo sem comida na mesa, ensinam respeito.
O problema é a ausência. É o comodismo. É o medo de assumir o papel de pai e mãe como deve ser. Estamos a construir uma geração perdida. E quando acordarmos, talvez já seja tarde. Porque quem não educa em casa, educa-se na cadeia.
Quem não corrige com palavras, vai chorar com lágrimas.
Quem não diz “não” a tempo, vai ouvir “adeus” para sempre. Por isso, se queres salvar o teu filho, sê pai dele hoje. Não amanhã.
Antes que a droga o adopte.
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