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SAÚDE

Secretário de Estado em Nampula apela à ética e integridade dos novos enfermeiros

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A província de Nampula conta, desde último sábado (10), com 698 novos técnicos de saúde, formados pelo Instituto de Gestão e Ciências de Saúde (IGCS). O grupo, que inclui 495 mulheres (79,9% dos graduados), representa um reforço importante para os quadros da saúde pública e privada, num momento em que a província enfrenta desafios críticos como a malária, a cólera e os efeitos das mudanças climáticas.

Durante a cerimónia de graduação, o Secretário de Estado da Província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, exortou os recém-formados a pautarem por integridade e profissionalismo, apelando a uma conduta ética no exercício das suas funções.

“Como servidores, devem preservar os valores da integridade, simpatia, idoneidade, transparência, profissionalismo e respeito pelos bens públicos e pela vida humana. Devem distanciar-se de práticas de corrupção, pois estas atrasam o desenvolvimento, corroem o tecido social e enfraquecem a economia do país”, afirmou o dirigente.

O governante desafiou ainda os graduados a aplicarem, com coragem e responsabilidade, as competências adquiridas para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população:

“Precisamos de técnicos competentes e comprometidos com o bem público. O vosso saber deve ser uma resposta concreta aos problemas do país.”

Recém-graduadas são exortadas a abster-se de actos de corrupção

Graduados denunciam dificuldades de inserção no mercado de trabalho

Apesar do ambiente de celebração, muitos jovens recém-formados aproveitaram o momento para expressar preocupação quanto à dificuldade de acesso ao primeiro emprego.

Nei João Abacar, formada em saúde materna e infantil, descreveu a formação como um percurso de sacrifício, e apelou por mecanismos de apoio à inserção profissional:

“Não foi fácil. Foram muitas humilhações, mas conseguimos. Agora, gostaríamos de ter caminhos claros para o emprego. Aqui, se procurarmos sozinhos, vamos ser cobrados. Nesta terra, tudo funciona por troca de produtos.”

Juide Libra Agostinho, técnico em análises clínicas, procurou encorajar os colegas a não se limitarem ao sector público:

“Todos conhecemos as dificuldades do país, mas não podemos desistir. Há clínicas, empresas e outros espaços que precisam de profissionais. Temos que explorar essas possibilidades.”

Para Benedito do Santo Agostinho, técnico de laboratório, é urgente que o Governo crie mais condições nos hospitais para absorver os recém-formados:

“Peço ao Governo que melhore os hospitais, para que possamos ter onde trabalhar. Formar sem empregar é frustrante.”

IGSC quer continuar a formar profissionais com qualidade

Em 2025, o IGCS já formou 756 técnicos de saúde só na província de Nampula, consolidando a sua contribuição para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde.

O presidente do Conselho de Administração da instituição, Paulo Jorge Henriques, destacou o compromisso do instituto com a excelência:

“É um sentimento de missão cumprida. Temos a certeza de que fazemos parte daqueles que, pedra a pedra, constroem um novo Moçambique. A nossa meta é continuar a colocar, todos os anos, profissionais de saúde altamente qualificados no mercado.” Vânia Jacinto

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