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OPINIÃO

Se eu partir antes de vocês

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Há momentos na vida em que pensamos no futuro, mas raramente paramos para refletir sobre a nossa própria ausência. Não é sobre antecipar a morte. É apenas reconhecer que a vida tem seu próprio ritmo e que, um dia, posso partir antes de vocês.

Se isso acontecer, quero que saibam que cada lembrança que construímos juntos estará comigo, mesmo que não possa mais expressá-la com palavras ou gestos. Cada riso compartilhado, cada conversa, cada silêncio que dividimos ficará guardado. E se vocês forem os primeiros a sentir a falta, quero que se lembrem de algo simples: eu estive aqui, e foi real.

Quando a saudade apertar, leiam os meus textos. Eles são pedaços de mim, pensamentos que se espalharam no papel, fragmentos daquilo que senti e vivi. Cada palavra foi escrita com carinho, cada frase com intenção de partilhar um pouco da minha visão, da minha maneira de olhar o mundo. Se sentirem saudades, deixem que essas palavras preencham o espaço do meu abraço que não podem receber.

Não guardem tristeza. Não façam do meu silêncio uma dor. Façam dele uma lembrança. Dediquem um sorriso a mim, falem de mim entre vocês, contem as histórias que vivemos juntos. Se puderem, digam em voz alta: “Bom descanso, Munna.” Não como despedida, mas como celebração daquilo que fomos e do que sempre seremos, mesmo separados pelo tempo e pelo espaço.

A vida é feita de partidas e encontros. Algumas pessoas partem antes, outras ficam para lembrar. Mas tudo o que deixamos – palavras, gestos, olhares, memórias – permanece. É nesse legado silencioso que continuamos presentes, mesmo sem corpo, mesmo sem voz.

Então, se eu partir antes de vocês, não tenham pressa de chorar. Tenham paciência de recordar. Deixem que minhas palavras falem por mim, que minhas lembranças sorriam com vocês. E se, por um instante, o silêncio parecer pesado, lembrem-se: eu ainda estou aí, entre as linhas dos meus textos, nas histórias que contamos, no amor que nunca se desfaz.

 

A vida continua, vocês continuam, e eu continuarei, de uma forma diferente, mas sempre lembrando de vocês. Porque, no final, não importa quem parte primeiro. O que importa é o que deixamos, e eu deixo vocês em cada palavra que escrevi, em cada gesto que compartilhei.

Se eu partir antes de vocês, apenas leiam, sorrim, e digam: “Bom descanso, Munna.” Não é adeus. É a certeza de que a vida segue, e que a lembrança se transforma em presença, mesmo que invisível.

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