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POLÍTICA

RENAMO cala os seus em Nampula: analista diz que partido revela face autoritária

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A recente decisão da RENAMO em Nampula de proibir os seus membros de falar à imprensa sem autorização prévia está a gerar duras críticas e levantar sérias preocupações sobre o estado da democracia interna no partido. Para o analista político Wilson Nicaquela, a medida é reveladora de um viés autoritário e confirma uma tendência repressiva que, segundo ele, já existe há muito tempo no seio do maior partido da oposição.

A polémica teve origem numa nota assinada pela delegada política provincial da RENAMO, instruindo que apenas membros devidamente credenciados podem interagir com os órgãos de comunicação social. Para Nicaquela, esta orientação viola a liberdade de expressão, tenta controlar a informação e colide com os princípios democráticos que o partido costuma proclamar em público.

“A RENAMO pode aparecer em público como promotora da democracia, mas internamente é muito mais repressiva do que aquilo que diz combater”, afirmou o analista, acrescentando que a decisão expõe “características históricas que o partido sempre tentou esconder”.

Num tom ainda mais severo, Nicaquela sugeriu que o partido está a institucionalizar práticas que antes eram mantidas em segredo. “Os assassinatos já acontecem dentro da RENAMO. Agora estão a dar corpo a uma repressão que antes era clandestina. A diferença é que o país evoluiu, e essas tácticas estão a vir à tona”, denunciou.

O analista considera que, em plena era digital e de livre circulação de informação, o controlo sobre os discursos internos é não só ineficaz, como contraproducente. “Podem proibir entrevistas, mas os membros vão usar contas fictícias, vão expor tudo nas redes sociais. Essa estratégia não funciona nos tempos actuais”, declarou.

Para Wilson Nicaquela, a RENAMO enfrenta um momento de encruzilhada: ou evolui e se adapta à nova realidade democrática moçambicana, ou continuará a perder relevância política. “O país mudou, mas a RENAMO continua presa a práticas do passado. É tempo de introspecção, de autocrítica séria. Estamos noutros tempos, e o partido precisa compreender isso”, apelou.

Até ao momento, a liderança nacional da RENAMO não se pronunciou sobre a nota emitida em Nampula, mas o episódio já acendeu alertas sobre a saúde da democracia interna na oposição.

“Insistir em métodos repressivos pode acelerar o fim da RENAMO como força política relevante”, concluiu o analista. Vânia Jacinto

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