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POLÍTICA

PODEMOS acusa Governo de “partidarizar” heróis nacionais

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O chefe da bancada do PODEMOS na Assembleia Provincial de Nampula, Martins Noronha, defende que Moçambique deve rever a forma como imortaliza os seus heróis nacionais, denunciando aquilo que considera ser uma “partidarização” da memória histórica do país.

No contexto das celebrações deste ano do Dia dos Heróis Moçambicanos, em entrevista ao Jornal Rigor, Noronha afirmou que a verdadeira imortalização dos heróis passa pelo reconhecimento transparente do seu contributo histórico, independentemente da filiação partidária.

De acordo com o chefe da bancada provincial do PODEMOS, a história oficial tem omitido figuras relevantes que não pertencem ao partido no poder, privilegiando apenas personalidades ligadas à força política governamental.

“O Governo, em vez de imortalizar aqueles que para nós são os verdadeiros heróis, está a imortalizar os que eles próprios destacaram. Esquecemos de Joana Simeão, de Azagaia. E nós sabemos que ele sempre cantou crítica social, e o que ele cantou e canta até hoje encanta, porque são coisas tangíveis, coisas que estamos a ver a olho vivo. Então, por que estamos a imortalizar esses heróis? É porque somos egoístas”, afirmou.

No campo cultural, Martins Noronha destacou o músico e activista social Edson da Luz, conhecido como Azagaia, como exemplo de herói contemporâneo cuja contribuição, através da música de crítica social, continua, segundo disse, a ser desvalorizada.

O político mencionou igualmente André Machangaissa, Urias Simango e Afonso Dhlakama, líder histórico da RENAMO, que, no seu entender, desempenhou um papel central na consolidação da democracia moçambicana. “Ele é quem trouxe a democracia a Moçambique. E do jeito que a democracia está a ser gerida hoje não é assim como mandavam os estatutos da RENAMO no passado. Esse tipo de pessoa merece ser herói”, disse.

Noronha foi igualmente crítico em relação a várias figuras, tanto da oposição como do partido no poder, defendendo que o estatuto de herói nacional não deve ser atribuído com base em conveniências políticas. “Existem heróis que são escolhidos por conveniência política. Isso faz com que a verdadeira história não chegue ao povo. Se calhar porque o partido no Governo tem ciúmes de reconhecer aqueles que realmente merecem ser heróis do nosso país”, acrescentou.

Para o chefe da bancada provincial do PODEMOS, Moçambique precisa adoptar uma abordagem mais inclusiva e honesta na construção da memória colectiva. “Os heróis em Moçambique tornaram-se partidarizados. É preciso uma consciência limpa para reconhecer quem realmente lutou pelo bem deste país. Imortalizar os nossos heróis é reconhecê-los e permitir que o povo conheça o historial de cada um, através dos livros e dos manuais de ensino”, concluiu. Vânia Jacinto

 

 

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