ECONOMIA
Plácido Pereira defende uma indústria extrativa orientada para a justiça social, e não para interesses isolados
O Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, defendeu esta quinta-feira (19), no simpósio dos 50 anos da Independência Nacional, uma profunda reforma no modelo de exploração dos recursos naturais em Moçambique. No seu discurso, destacou que o setor extrativo, embora crucial para o crescimento económico, ainda está longe de responder às exigências de desenvolvimento sustentável e inclusão social.
“Não basta aumentar o PIB. O desafio é transformar riqueza mineral em progresso coletivo”, afirmou o dirigente, alertando que a indústria extrativa opera num campo sensível, onde se cruzam interesses geopolíticos, riscos ambientais e desigualdades sociais. “Temos de abandonar modelos predatórios e apostar numa exploração ética, responsável e baseada em justiça ambiental.”
Plácido Pereira destacou quatro pilares para um novo paradigma extrativo: valor económico local, participação comunitária, proteção ambiental e integridade institucional. Defendeu que as comunidades afectadas devem ter voz nas decisões, receber compensações justas e participar nos benefícios. “A riqueza não pode continuar concentrada. É preciso democratizar os frutos do subsolo”, declarou.
Sublinhou ainda a importância de práticas de extração com baixo impacto ambiental e gestão pública transparente. “A captura do Estado, a corrupção e os enclaves desconectados da realidade nacional minam a coesão e perpetuam a pobreza”, advertiu, apontando que o sector deve alinhar-se com a Agenda 2063 da União Africana, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Estratégia Nacional de Desenvolvimento.
O Secretário de Estado sublinhou que o futuro do país depende da capacidade de transformar os recursos naturais em empregos, educação e infraestruturas. “Moçambique não pode continuar a ser rico debaixo da terra e pobre à superfície. A indústria extrativa deve estar ao serviço do povo e da soberania nacional.”
Recorde-se que a intervenção foi feita na abertura do simpósio sobre os 50 anos da Independência, promovido pela Universidade Rovuma, que decorre sob o lema “50 anos consolidando a unidade nacional e o desenvolvimento sustentável no contexto da indústria extrativa”. Faizal Raimo
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