ECONOMIA
Pessoas com deficiência denunciam discriminação diária em Nampula
Apesar de avanços alcançados através de acções de lobe e advocacia, pessoas com deficiência continuam a enfrentar discriminação diária nos transportes, nas unidades sanitárias e em vários espaços públicos na cidade de Nampula. Os testemunhos recolhidos pelo Rigor mostram que, embora exista maior consciência dos direitos, persistem barreiras sociais e atitudinais que violam princípios fundamentais de igualdade e dignidade humana.
Dona Muachea Mussa, residente em Muahivire e que perdeu a visão há 15 anos, descreve episódios recorrentes de desprezo nos chapas e nos hospitais. “Eu posso mandar um chapa parar, o cobrador manda seguir e diz que não há espaço, mas deixa subir alguém sem deficiência. No hospital, às vezes desprezam-nos e não nos dão prioridade”, contou. Para ela, a discriminação não afecta apenas a mobilidade — é uma agressão emocional que reforça estigmas e limita o acesso a serviços essenciais.
Para muitas pessoas com deficiência, o problema é estrutural. A falta de formação de profissionais, a inexistência de adaptações nos serviços públicos e a percepção de que a deficiência equivale a incapacidade criam barreiras invisíveis, mas profundas. “Há ainda pessoas que nos excluem, mas hoje aconselho outros a não desistirem. Ser pessoa com deficiência não é o fim da vida”, afirma Afonso Lima, de Mutauanha, que perdeu a visão total e encontrou nas associações um espaço de apoio e reconstrução.
Entre pessoas com albinismo, a desigualdade começa logo na escola. Márcia Bacar Alifo relata que muitos professores continuam sem conhecimento para atender alunos com baixa visão. “Eu ficava para trás nas aulas porque não conseguia ver o quadro. O professor dava a matéria e ia embora, sem perceber se eu tinha conseguido acompanhar”, explicou. Embora existam melhorias, a inclusão educativa permanece frágil, deixando crianças e jovens em situação de desvantagem.
As pessoas entrevistadas apelam ao Governo e às instituições públicas para reforçarem a formação, a acessibilidade e políticas activas de combate à discriminação. O pedido nasce da própria consciência de dignidade: “Nós que temos deficiência merecemos ser olhados com igualdade. Não somos menos do que ninguém”, afirmam.
Hoje, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, essas vozes recordam que a inclusão começa no reconhecimento da humanidade plena de cada cidadão e, que a discriminação, mesmo silenciosa, continua a violar os direitos humanos. Assane Júnior
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