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ECONOMIA

Padre Zé Luzia denuncia abandono total dos deslocados de Memba em Nacala

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O Padre José Luzias Gonçalves, missionário português com 57 anos de dedicação à evangelização em Moçambique, denuncia que nenhuma entidade estatal ou religiosa prestou assistência às famílias que fugiram dos ataques em Memba e se concentraram, desde o dia 21, no cruzamento entre Nacala-Porto e Nacala-Velha.

Segundo o sacerdote, as primeiras famílias chegaram ao local “completamente desprovidas de qualquer assistência”, tendo sobrevivido apenas graças ao apoio de um missionário que, durante seis dias, assumiu sozinho os custos de alimentação e transporte, desembolsando cerca de 90 mil meticais.

“Dou graças a Deus pelo Zé João, com os sentimentos cristãos que ele tem, ter mobilizado um conjunto de pessoas para montar uma cozinha e dar comida às pessoas que vinham, algumas com dois, três dias de caminhar”, afirmou. O padre diz que, apesar dos alertas, “nenhuma entidade apareceu”: “Governo, nada. Nem as igrejas protestantes, nem a católica, nem nenhuma instituição fez qualquer apelo para socorrer os desgraçados que estavam a fugir a sul de Memba.”

Criança resgatada de uma família deslocada chegada de Memba recebe cuidados médicos no hospital, após apresentar sinais de desnutrição e extrema fragilidade.

O sacerdote acusa igualmente os municípios de Nacala-Porto e Nacala-Velha de “total ausência” de resposta humanitária e relata que chegou a informar o governador Eduardo Abdula sobre a situação. “Expliquei-lhe: ‘Senhor governador, o senhor está a agir muito bem no Eráti, mas isto está a acontecer agora em Nacala.’ Ele pediu desculpa, mas mesmo assim ninguém do Governo apareceu ali”, disse. O padre alerta ainda para um ambiente de intimidação: “Dizem que muitas pessoas têm medo de ajudar. Já vieram avisar o Zé João que andam à procura dele… Quem são esses do aparelho do sistema que, em vez de ajudar, atemorizam?”

O governador de Nampula rejeita a crítica de abandono e afirma que o apoio está a ser feito de forma gradual, priorizando zonas com maior concentração de deslocados. “As famílias que estão em Nacarôa receberam os kits, e os de Nacala estão a receber. Não é possível transportar todos ao mesmo tempo; está-se a fazer o transporte gradual”, justificou. Abdula acrescenta que, noutros distritos, muitos deslocados já iniciaram o regresso voluntário: “Havemos de chegar aos outros distritos, caso ainda existam. A grande amostra disso é Nacarôa.”

 

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1 Comment

1 Comment

  1. José Luzia

    Dezembro 5, 2025 at 4:38 pm

    Eu apenas relatei para o vosso jornal aquilo que o José João me foi relatando. E fui respondendo como me foi possível canalizando na hora apoios conseguidos …
    Ele é a testemunho no terreno.

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