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ECONOMIA

Obras de requalificação agravam engarrafamentos na cidade de Nampula

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As obras de requalificação e reabilitação urbana em curso nas principais avenidas da cidade de Nampula estão a aumentar os engarrafamentos e a tornar o trânsito mais lento e imprevisível, segundo queixas de automobilistas, transportadores e chapeiros. As zonas mais afectadas incluem o Waresta, a Avenida Eduardo Mondlane, a Avenida do Trabalho e parte do bairro de Muahivire, onde o fluxo de veículos é intenso durante todo o dia.

Enquanto o município promete abrir vias alternativas para melhorar a mobilidade, os condutores dizem estar a viver um dos períodos mais complicados dos últimos anos, com longas filas que se prolongam por horas, especialmente em horários de pico.

“O movimento de viaturas está muito elevado. Aquela zona do Waresta é centro de engarrafamento todos os dias, não tem hora”, disse Valdemiro Fernando, transportador de materiais de construção, acrescentando que “Nampula mudou mesmo, está cheia de transporte e só temos poucas vias”.

Os automobilistas reconhecem a importância das obras em curso, mas afirmam que a sua execução tem colocado à prova o já limitado sistema rodoviário da cidade, que há muito não acompanha o crescimento populacional nem o aumento do parque automóvel. “Há estradas que foram feitas há muitos anos e nunca tiveram manutenção. Agora temos mais carros, mais camiões, mas as vias continuam as mesmas”, lamentou um condutor ouvido pelo Jornal Rigor.

Outro transportador, Oliveira Martinho, defende que a falta de rotas alternativas em condições aceitáveis agrava ainda mais o problema. “Aumentar as avenidas já não é possível. Só talvez abrir vias alternativas. Ali no Matadouro tem uma estrada que sai até à Subestação, mas está intransitável. Se fossem reabilitadas, os chapas e camiões podiam passar por lá”, sugeriu.

“A Avenida do Trabalho não é para camiões. Está no meio da cidade. Deviam deixar circular camiões só à noite, depois das 21h, para aliviar o trânsito”, criticou Júlio Cristovão, chapeiro há 12 anos, que diz enfrentar diariamente congestionamentos que reduzem o número de viagens e as receitas.

Além dos engarrafamentos, há também reclamações sobre a falta de sinalização, iluminação e gestão do tráfego em alguns cruzamentos críticos, o que aumenta o risco de acidentes e o desgaste dos condutores. “Faltam semáforos, faltam agentes de trânsito em certas horas. Quando há confusão, cada um faz o que quer e o trânsito pára todo”, disse um motorista de transporte semi-colectivo.

Muitos dos entrevistados pedem que o Conselho Municipal de Nampula acelere a abertura de rotas alternativas e priorize a reabilitação de estradas secundárias como as que passam pela Subestação, ADEMO, Academia Militar e Coca-Cola, apontadas como possíveis corredores de alívio do fluxo central. “Há vias boas no mapa, mas más no terreno. Se fossem reparadas, metade do trânsito desaparecia”, defendeu um outro condutor.

Enquanto isso, o município reitera que as obras fazem parte de um plano de modernização da cidade e prometeu melhorar a mobilidade com novas rotas e sinalização assim que concluída a primeira fase dos trabalhos. Até lá, os engarrafamentos tornaram-se parte do quotidiano de Nampula, afectando o tempo de trabalho, o transporte público e o custo de vida dos cidadãos. José Luís

 

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