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“Não há nada que justifique perder vidas humanas”: Bispo Dinis Sengulane apela ao fim imediato da violência no Norte

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O bispo emérito da Diocese dos Libombos e antigo presidente do Conselho Cristão de Moçambique, Dinis Salomão Sengulane, lançou um apelo contundente ao fim imediato da violência que continua a ceifar vidas em Cabo Delgado, Nampula e outras regiões do país. Em entrevista ao Rigor, o líder religioso descreveu a situação actual como “profundamente preocupante” e afirmou que nenhuma circunstância pode justificar que Moçambique continue a perder os seus filhos para uma guerra que considera “totalmente desnecessária”.

“Olá, Paz”, começou por dizer, na saudação que utiliza há décadas como marca do seu compromisso com a reconciliação. “Nós queremos ver o fim da guerra. Não há nada que justifique que se continue a perder vidas humanas no nosso país. Acabar com a guerra — isso é o essencial.”

Para Sengulane, a resposta ao conflito não pode limitar-se ao campo militar. O bispo recorda que, na história de Moçambique e do mundo, todas as guerras terminaram inevitavelmente numa mesa de diálogo. “Não chega olhar apenas para o aspecto militar. É preciso encontrar o meio de acabar com a guerra. Mesmo aquelas guerras que acabaram em rendição criaram um ambiente para diálogo. O diálogo é incontornável.”

Questionado sobre a vulnerabilidade de distritos como Memba, recentemente afectados por ataques armados, Sengulane preferiu focar-se na urgência das soluções. “Quando estamos a ver o que está a acontecer — mortes, destruição de vidas humanas — precisamos de falar sobre o assunto, dialogar e encontrar uma saída. Não é descrever o problema; é resolver.”

Além do apelo ao diálogo entre todas as partes envolvidas, o bispo enfatiza a importância da dimensão espiritual e comunitária. “É necessária a oração para reforçar o diálogo. Aqueles que acreditam em Deus devem orar por todos. Este país é lindo, foi-nos dado por Deus, e permitiu que estivéssemos vivos para cuidar dele.”

Sublinhando que a insurgência não é invisível e não acontece sem mandantes, o líder religioso foi directo: “Se há mortes, há alguém que está a causar essas mortes. Há alguém que dá ordens, que financia e aconselha. São essas pessoas que devem sentar e dialogar.”

Sengulane apelou ainda à assistência humanitária para as populações que sofrem as consequências do terror. “O moçambicano é pacífico, trabalhador. O sofrimento que está a acontecer não vem só das balas, mas também da fome e das limitações causadas pela guerra. E isso é tudo desnecessário, porque Moçambique é um país fértil — podemos produzir o suficiente para todos viverem bem.”

No encerramento da entrevista, deixou uma mensagem directa ao povo e à imprensa: “Apelamos a todos para trazerem ao coração a necessidade de diálogo e de ajuda humanitária. Deus te abençoe e faça do vosso órgão de comunicação um canal de pacificação para o nosso povo.” Redacção 

 

 

 

 

 

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