SOCIEDADE
Nampula já perdeu 109 professores este ano e quase 900 estão doentes, alerta ONP
A Organização Nacional dos Professores (ONP) em Nampula lançou um alerta grave sobre a situação da classe docente, marcada por mortes, doenças e condições de trabalho precárias. Segundo o secretário provincial, André Jana, desde o início de 2025 já morreram 109 professores e quase 900 encontram-se debilitados.
Jana explicou que estes números traduzem uma crise silenciosa que afecta directamente o funcionamento das escolas. “Temos 896 colegas acamados, que ora estão nas salas de aula, ora em casa. Isso significa perda de aulas e queda da qualidade do ensino”, afirmou.

o secretário provincial da ONP, André Jana
Apesar dos descontos mensais obrigatórios para a assistência médica, os professores continuam sem resposta adequada nas unidades sanitárias. “Os descontos nunca falharam, mas quando vamos ao hospital muitas vezes não encontramos camas nem medicamentos. É um desrespeito à classe”, criticou o dirigente.
A ONP alerta que esta realidade não só fere a dignidade dos docentes, como também agrava o absentismo escolar e compromete o futuro da educação. “Se um professor está doente e não consegue trabalhar em pleno, os alunos são os primeiros a sofrer”, sublinhou Jana.
O secretário provincial defendeu que o elevado número de doenças entre professores deve ser tratado como uma emergência social. “Não é apenas a vida do professor que está em risco, é o futuro da educação em Nampula. Um sistema educativo fragilizado compromete toda a sociedade”, alertou.
Funerais indignos e dívidas acumuladas
Para além da questão da saúde, a ONP denuncia a demora no pagamento do subsídio de funeral, fixado em 10 mil meticais, que deveria ser entregue imediatamente às famílias dos professores falecidos. Contudo, em muitos casos, o apoio chega meses ou até anos depois. “Infelizmente, quando um colega perde a vida, somos obrigados a juntar dinheiro entre nós para assegurar o enterro. Isto não é justo”, lamentou Jana.
A situação gera sofrimento acrescido às famílias, que já lidam com a dor da perda. “Não faz sentido que um professor que serviu o país durante anos não tenha direito a um funeral digno por falhas administrativas”, criticou.
Apesar de reconhecer alguns avanços na redução da dívida global com a classe, o dirigente insistiu que a dignidade dos professores deve ser tratada como prioridade. “Sem professores saudáveis e respeitados, não há escola, não há futuro”, concluiu. Faizal Raimo
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José Luzia
Outubro 12, 2025 at 8:27 pm
Já era tempo de a ONP se comportar como um verdadeiro sindicato independente do Partido….