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Mutuali volta a respirar paz: Naparamas rendem-se e Governador apela a usar catanas para produzir
A visita do Governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, esta segunda-feira (28), ao posto administrativo de Mutuali, no distrito de Malema, foi decisiva para pôr fim à tensão provocada pelo grupo Naparama, que durante meses aterrorizou as comunidades locais.
A deslocação aconteceu cerca de um mês após uma primeira tentativa de reconciliação, que fracassou: naquela ocasião, os Naparamas simularam uma trégua, interagindo pacificamente com as Forças de Defesa e Segurança e chegando a realizar actividades conjuntas. Na prática, o grupo apenas procurava ganhar tempo e aparentar calma, enquanto mantinha a sua organização activa nas zonas rurais.
Nas vésperas da Semana Santa, a situação agravou-se. Elementos dos Naparamas mobilizaram-se e lançaram uma ofensiva contra a base das Forças de Defesa e Segurança instalada em Mutuali, obrigando a uma resposta firme por parte das autoridades. Segundo dados oficiais da Polícia, a operação culminou com a captura de vários Naparamas e a morte de pelo menos cinco elementos do grupo. O ataque revelou a verdadeira extensão da ameaça que persistia na região e reforçou a necessidade de uma acção governamental mais enérgica.

Governador Eduardo Abdula em diálogo com Naparamas durante cerimónia de rendição em Mutuali.
A nova intervenção do Governador Abdula teve resultados concretos. Esta segunda-feira, 63 membros dos Naparamas entregaram-se formalmente às autoridades, numa cerimónia pública que contou com a presença de líderes comunitários, membros das forças de segurança e da população local. Em nome dos rendidos, Florindo Epissone leu uma carta de rendição, na qual reconheceu que o movimento nasceu do desespero e do sentimento de abandono, mas que, com o tempo, enveredou por caminhos errados, causando sofrimento às próprias comunidades que pretendiam proteger.
“Foi com desejo sincero de mudança que nos mobilizámos, mas, lamentavelmente, alguns acabaram por recorrer a meios inadequados, trazendo ainda mais dor à nossa gente”, declarou.

Governador Eduardo Abdula observa instrumentos usados pelos Naparamas durante o conflito em Mutuali.
Epissone não se limitou a pedir perdão — apresentou também um conjunto de reivindicações em nome da população de Mutuali, apelando ao apoio do Governo para impulsionar o desenvolvimento local. Entre as propostas estavam a criação de um aviário de grande escala, investimentos na agricultura e na indústria, a reabilitação de escolas e hospitais, a introdução de serviços de canalização de água, o financiamento de jovens empreendedores e a construção de uma faculdade.
O Governador Eduardo Abdula ouviu atentamente cada apelo e questionou a sinceridade do arrependimento, obtendo a confirmação de que a carta foi redigida de livre vontade. Comprometeu-se a integrar os jovens na sociedade, através de programas de formação profissional e articulação com empresas de construção que operam na região.
“As catanas devem ser usadas como instrumentos de produção, não como armas de guerra”, advertiu.
No final da cerimónia, Florindo Epissone, representante dos Naparamas, reafirmou o compromisso do grupo: “Queremos reconstruir a confiança perdida e trabalhar por um futuro melhor para Mutuali, com paz, dignidade e justiça.” Daniela Caetano
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