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Munícipes de Nampula exigem medidas urgentes para garantir água potável na época seca

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A aproximação da época seca reacende a preocupação dos munícipes da cidade de Nampula, que exigem medidas concretas das autoridades para garantir o fornecimento de água potável nos próximos três meses — Outubro, Novembro e Dezembro — período em que historicamente se agrava a escassez do precioso líquido.

No último trimestre de cada ano, a falta de água potável tem sido um dos maiores desafios para a população, obrigando milhares de famílias a percorrer longas distâncias para conseguir 20 litros de água. Muitas vezes, recorrem a poços caseiros, considerados impróprios para o consumo humano, expondo-se ao risco de doenças hídricas.

Já este ano, moradores de vários bairros denunciam a irregularidade no abastecimento, com torneiras secas por dias seguidos, sem qualquer aviso ou esclarecimento por parte das autoridades competentes. Em 2024, a crise atingiu níveis alarmantes, deixando bairros inteiros sem água por semanas.

“Pelo menos no nosso bairro não há água. Só aparece quando querem trazer as facturas. A água sai uma vez por semana e, quando vem, a pressão é fraca. Se agora já sofremos, imagina no pico da seca. As autoridades precisam assumir responsabilidade”, desabafou Esperança da Fátima, residente em Muhala.

Situação idêntica é vivida em Napipine, Namutequeliua, Carrupeia e Namicopo, onde famílias dependem de furos, rios ou camiões-cisterna, muitas vezes a preços elevados. “Não basta cobrar todos os meses enquanto a água não jorra nas torneiras. É preciso construir mais barragens para que a população não sofra sempre com este problema”, exigiu Augusto Izaque, morador de Napipine.

Para alguns, o sofrimento agrava-se pela falta de alternativas. “Eu não tenho torneira, dependo dos meus vizinhos. A água sai hoje e depois só daqui a dois ou três dias. Agora ainda temos poços por causa da chuva, mas na seca ficamos semanas sem nada”, contou Luísa Muabaraca, do bairro de Muhala Expansão.

Outros munícipes apelam também ao uso racional da água. “Precisamos aprender a conservar este recurso precioso e evitar desperdícios. Espero que este ano seja diferente, que não soframos como antes”, afirmou Jéssica Jamal, residente em Namutequeliua.

Na semana passada, durante a visita de uma missão do Banco Mundial a Nampula, o Rigor tentou ouvir o director da empresa regional de águas (AdR Norte), mas não obteve resposta. Entretanto, o director provincial das Obras Públicas, Recursos Hídricos e Habitação, Faquira Massalo, admitiu que a escassez persiste devido à insuficiência das actuais barragens que alimentam a cidade.

“Mesmo com os esforços em curso, a cidade de Nampula estará novamente mergulhada na crise de água potável nos próximos meses, porque a capacidade das actuais infra-estruturas não responde à crescente demanda”, explicou Massalo, em declarações prestadas no encontro com o Banco Mundial.

Segundo o governante, a solução definitiva passará pela construção de uma nova barragem, projecto financiado pelo Banco Mundial, cuja entrada em funcionamento só está prevista para 2030. Redacção 

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