SOCIEDADE
Kóxukhuro desmascara PRM e fala em 38 mortos, 13 feridos e 5 detidos em Mogovolas
A organização da sociedade civil Kóxukhuro contestou, esta semana, a versão apresentada pela Polícia da República de Moçambique (PRM) sobre os acontecimentos registados no posto administrativo de Ilute, no Regulado de Maraca, distrito de Mogovolas, afirmando que a actuação policial resultou na morte de 38 pessoas, além de 13 feridos e cinco cidadãos actualmente sob custódia policial.
Em conferência de imprensa, a organização classificou como falsa e desinformadora a informação divulgada pela PRM, segundo a qual as vítimas seriam alegados naparamas e membros do partido ANAMOLA. A Kóxukhuro sustenta que um levantamento independente no terreno, envolvendo entrevistas a vítimas, familiares, líderes comunitários e testemunhas, desmente essa versão.
Segundo os dados apresentados, entre os mortos contam-se oito crianças e oito mulheres, o que, no entender da organização, confirma que as vítimas eram civis, maioritariamente garimpeiros artesanais e comerciantes que se encontravam no local no momento da intervenção policial. A Kóxukhuro acrescenta que a maioria das pessoas mortas não residia em Maraca nem no distrito de Mogovolas, sendo provenientes da localidade de Chalua, no distrito de Moma, onde também foram realizadas diligências para confirmação dos factos.
A organização denunciou ainda a destruição de bens, referindo a queima de cerca de 27 motorizadas, enquanto outras teriam sido recolhidas pelas autoridades policiais para um destino até agora desconhecido. De acordo com a Kóxukhuro, os acontecimentos ocorreram num contexto de tensão associado à prática de garimpo ilegal, envolvendo disputas económicas na exploração e comercialização de recursos minerais.
A Kóxukhuro alega que alguns agentes da PRM permitiam o acesso às zonas de extracção mediante o pagamento de valores informais, situação que terá agravado o conflito quando parte dos garimpeiros decidiu vender os minerais a outros compradores, fora do circuito inicialmente imposto. A organização defende que a intervenção policial visou proteger interesses económicos privados.
Perante a gravidade das denúncias, a Kóxukhuro anunciou que está a documentar individualmente todos os casos de mortes e ferimentos e que irá submeter um pedido formal à Procuradoria para a abertura de uma investigação célere, independente e transparente, com vista à responsabilização dos agentes envolvidos e de quem terá ordenado a operação.
A organização exige igualmente um pronunciamento público do Comando Provincial da PRM, defendendo que as autoridades devem apresentar provas que sustentem a versão inicialmente divulgada, nomeadamente a alegada ligação das vítimas a grupos armados ou partidários, algo que, segundo a Kóxukhuro, não foi comprovado no terreno.
Recorde-se que a PRM avançou oficialmente a morte de apenas seis civis e de um agente da Polícia, totalizando sete óbitos, versão que é agora frontalmente contestada pela organização Kóxukhuro, que aponta para um número substancialmente superior de vítimas e acusa as autoridades de desinformação sobre os acontecimentos de Mogovolas. Redação
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